Do Ford T fabricado em 1908 aos carros híbridos: veja o que mudou nos motores e no consumo de combustível

Por: Jean Souza – Instituto Combustível Legal

A autonomia de um veículo diz respeito a quanto ele consegue rodar com um tanque cheio. Será que um automóvel dos dias atuais tem muito mais autonomia que os carros lançados no início do século 20? E já que o assunto é rodar mais gastando menos, o que você deve levar em conta na hora de escolher um carro pensando em custo-benefício?

Confira o que alguns especialistas dizem sobre avanços e curiosidades mais de cem anos depois do lançamento do primeiro veículo fabricado em série.

Ford T, o primeiro carro popular

O primeiro automóvel fabricado em série no mundo foi o Ford T. Com motor a gasolina de 2,9 L e quatro cilindros, tinha potência de 20 cv e capacidade para atingir 72 km/h. Lançado em 1908, seu consumo ficava na faixa de 5 a 9 km por litro. Em termos de autonomia, com um tanque capaz de armazenar cerca de 35 litros, dá pra ver que ele não iria tão longe. Mas, tomando as devidas proporções, até que o Ford T não perderia feio para as tecnologias seguintes, se falarmos em rendimento por litro.

Veja, por exemplo, alguns dados publicados ano passado pelo Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE) do Inmetro. O programa analisa minuciosamente o rendimento dos veículos de diferentes categorias, simulando várias condições de uso.

Um Fiat Mobi, motor flex 1.0 8v, consome 12,7 litros por km em ambiente urbano, rodando só com gasolina, e 8,8 litros por km, no mesmo ambiente, caso rode apenas com etanol. Já um Audi A3 Sportback, motor 1.4-16v movido a gasolina, consome 11,6 km por litro na cidade. E as diferenças de rendimento variam bastante entre os outros modelos vendidos no mercado.

Confira a lista publicada pelo Inmetro e compare o rendimento de cada veículo

O que mudou ao longo do tempo?

Em 2020, a revista americana Waste Advantage Magazine publicou uma reportagem afirmando que, surpreendentemente, um carro médio de hoje em dia não é muito mais econômico que os carros de antigamente, destacando que o rendimento dos veículos atuais se assemelha bastante aos da década de 1920. Mas o que explica isso?

“Bem, os carros [atuais] são muito maiores. Em 1982, o carro médio pesava aproximadamente 1.385 kg. Em 2006, o carro comum era aproximadamente 226 kg mais pesado e, claro, esse número continua aumentando. Recursos de segurança e avanços tecnológicos desempenham um grande papel nesse número”, descreve o jornalista Jamie Roberts.

Mas o rendimento por litro, obviamente, não é o único fator que deve ser levado em conta nesse resgate histórico sobre a evolução dos carros e motores. A capacidade de chegar mais longe em menos tempo, o conforto, o silêncio, a segurança e muitos outros fatores fazem parte desse desenvolvimento.

Se o cliente tem um perfil mais esportivo e busca performance, ter um veículo que apresenta consumo de combustível de 7 km/L é algo extremamente aceitável, ao passo que, para um cliente de perfil mais conservador e mais sensível ao consumo, um veículo com essa mesma autonomia será motivo de insatisfação

Para Ricardo Goto, gerente sênior de Suporte Técnico e Garantia do BMW Group do Brasil, é certo que os motores ganharam autonomia ao longo dos anos. “Devido à evolução das tecnologias empregadas nos motores, eles passaram a ser cada vez mais eficientes, aproveitando melhor a queima da mistura ar-combustível”, descreve.

“A injeção eletrônica de combustível certamente foi um marco na evolução dos motores, e foi a tecnologia que permitiu a adoção de outros sistemas que vieram depois, como o Valvetronic da BMW, usado desde 2001 nos veículos BMW e desde 2006 nos modelos Mini. Esse sistema possibilita variar, não somente o tempo de abertura das válvulas de admissão e escape, mas também seu curso, ou seja, o quanto a válvula de admissão abre. Com isso, é possível obter uma mistura ar-combustível otimizada em todas as situações de aceleração”, afirma o gerente.

Assista: Tecnologias para economia de combustível, por Marcellus Leitão

 

Downsizing (diminuição de tamanho) e injeção eletrônica

O representante da BMW lembra que o downsizing talvez seja a forma mais fácil de se perceber a evolução atingida nos motores a combustão. “Hoje, é possível extrair de motores 4 cilindros de 2 L turbo o que antes só se conseguia com motores 6 cilindros 4 L. Certamente, o grande viabilizador do downsizing é o turbocompressor, mais conhecido somente como turbo”, explica.

Assista: Motor aspirado ou turbo? Afinal, qual rende mais?

 

Os sistemas de transmissão e escapamento são mencionados por Goto como coadjuvantes importantes. Apesar de não terem relação direta com combustão, os câmbios têm grande influência na autonomia e nas emissões, “afinal, a transmissão é a responsável por transferir a potência gerada pelo motor até as rodas”, destaca.

Para o engenheiro Gilberto Pose, coordenador técnico de combustíveis da Raízen, a “mola propulsora” que, no Brasil, motivou as evoluções, tanto dos motores quanto dos combustíveis, foi o Ibama, por meio do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve). Em 1986, o programa fez uma “fotografia” do mercado brasileiro, que vem mudando até hoje, exigindo que as montadoras fabriquem motores mais eficientes e menos poluentes.

Depois disso, as quantidades de enxofre e outras substâncias tóxicas diminuíram no diesel e na gasolina, para o bem dos passageiros, dos motoristas e do meio ambiente. De lá pra cá, relata Pose, os veículos ganharam novas tecnologias e sensores capazes de monitorar as mais diversas variações no interior dos motores.

Mas, afinal, como saber qual o carro mais econômico?

“Se o cliente tem um perfil mais esportivo e busca performance, ter um veículo que apresenta consumo de combustível de 7 km/L é algo extremamente aceitável, ao passo que, para um cliente de perfil mais conservador e mais sensível ao consumo, um veículo com essa mesma autonomia será motivo de insatisfação”, afirma o gerente da BMW.

E até cuidados mais simples, como a verificação frequente da pressão dos pneus, podem garantir melhores números de consumo. E, é claro, sempre abastecer com combustíveis de qualidade, afinal, de nada adianta um motor altamente tecnológico se o combustível for de má qualidade

Para o engenheiro da Raízen, quando a pessoa vai escolher um veículo, tem que ver para que vai usá-lo: locomoção ou trabalho? Vai transportar coisas pesadas? “Depois tem que ver a motorização. Se é só pra andar na cidade, ir e voltar sozinho, um motor de mil cilindradas 1.0 é tranquilo. “, lembra Pose.

Goto complementa destacando que é importante não esquecer da manutenção do veículo, que deve estar em dia, conforme preconiza a montadora, garantindo sua operação da forma mais eficiente. “E até cuidados mais simples, como a verificação frequente da pressão dos pneus, podem garantir melhores números de consumo. E, é claro, sempre abastecer com combustíveis de qualidade, afinal, de nada adianta um motor altamente tecnológico se o combustível for de má qualidade”, completa.

Assista: Direção segura com economia de combustível

 

Carros híbridos e elétricos

Uma coisa é certa, segundo o especialista da BMW: a utilização mais recente de sistemas de propulsão híbridos, compostos por um motor a combustão e um motor elétrico alimentado por baterias, tem ganhado cada vez mais relevância no mercado, e permite atingir três vezes mais autonomia, se comparados a modelos convencionais somente a combustão.

A autonomia desses veículos, alternando combustíveis líquidos e baterias, pode variar de aproximadamente 500km a 800km, dependendo dos modelos.

Segundo o jornalista Marcellus Leitão, especialista em automóveis, a empresa chinesa Byd já prepara o lançamento de automóveis exclusivamente elétricos com baterias capazes de altingir mil km de autonomia para os carros.

Para Goto, além da performance, a preocupação com as mudanças climáticas tem movido as montadoras a desenvolverem novas tecnologias e a adotar ações para redução das emissões. “O BMW Group vai reduzir as emissões de CO2 até 2030 em 80% na produção, em 40% no uso dos veículos por km rodado e em 20% na cadeia de fornecimento, se comparado aos dados de 2019.

E dos Fords T do passado, fica o glamour de uma era que simboliza o nascimento do automóvel, e com ele toda a revolução tecnológica que permeou esses mais de 110 anos de evolução da indústria automobilística.

Assista: Entenda como funciona um carro híbrido! Marcellus Leitão testa o Prius, da Toyota

 

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