O mercado de combustíveis está entre os mais voláteis do mundo. Os preços da gasolina, do etanol e do diesel oscilam não apenas em função da economia, mas também de fatores geopolíticos, climáticos, agrícolas e tributários. Diante desse cenário de incerteza, as empresas do setor recorrem cada vez mais à análise avançada de dados para antecipar a demanda, planejar operações e orientar decisões estratégicas.
Há seis anos, a Ipiranga desenvolveu internamente uma tecnologia que prevê a demanda de combustível necessária para abastecer seus 6.000 postos no país, o Atena. Com base em informações sobre o histórico de vendas da rede e sobre o mercado brasileiro, a ferramenta consegue antecipar quanto, onde e quando a gasolina, o etanol e o diesel serão consumidos no Brasil.
De acordo com Priscila Falcão, diretora de inteligência de mercado e tendências da Ipiranga, como o Atena trabalha com ciência de dados, ela tem capacidade de capturar nuances do comportamento do mercado, como o impacto de feriados ou mudanças tributárias no consumo de combustíveis. “São mais de 380 modelos ativos que reduzem incertezas e alinham as diferentes áreas da empresa em torno de uma mesma visão de futuro”, afirma a executiva.
Antes da ferramenta, Priscila afirma que a empresa tinha que analisar os dados manualmente e realizar diversas reuniões com a equipe e empresas do mercado. Além da eficiência, houve um ganho de precisão na demanda pelo combustível: em 2022, antes da adoção da ferramenta, o percentual de acurácia era de 94,7%. Hoje, é 97,9% . Com isso, o equivalente financeiro da melhoria nas previsões foi de R$ 94,8 milhões por mês em 2024.
Mas nem tudo foi fácil. Para desenvolver o Atena, a equipe de ciência de dados da Ipiranga, hoje composta por 40 pessoas, levou um ano. O desafio foi construir um sistema com precisão que somasse todas as variáveis do setor de combustíveis.
Em 2024, o Atena atingiu recorde de acurácia, com erro médio de 1,8% para previsões um mês à frente e 3,3% para quatro meses à frente. Com o resultado, a tecnologia foi a única finalista brasileira do International Institute of Forecasters (IIF) no ano passado, competição global voltada à pesquisa e prática de previsão de mercado.
“O mercado sofre muitas alterações durante o ano e atuamos em um país com diferentes realidades. Mas quando a tecnologia é tratada como parte da estratégia, e não apenas como suporte, ela muda a forma de operar, de planejar e de crescer”, diz Priscila.
