Cosan, Shell e BTG estão em negociações avançadas para aporte na Raízen, diz agência

25/02/2026

Fonte: Folha de S. Paulo

  • BTG Pactual pode adquirir fatia significativa da distribuidora de combustíveis por R$ 5,5 bilhões
  • Joint venture enfrenta crise após altas taxas de juros, safras fracas e investimentos sem retorno

O objetivo é apresentar um plano aos principais credores e detentores de títulos de dívida da empresa antes de finalizar esse plano.

A proposta em discussão inclui investimentos de fundos de private equity administrados pelo Banco BTG Pactual SA, que adquiririam uma participação significativa no negócio de distribuição de combustíveis da Raízen por cerca de R$ 5,5 bilhões, disseram as pessoas, que pediram para não serem identificadas por estarem discutindo informações confidenciais. As partes ainda discutem qual percentual da dívida da Raízen seria convertido em capital, com as conversas focadas em cerca de 35%, disseram as pessoas.

Raízen precisa de novo aporte financeiro após ser pressionada por altas taxas de juros, safras abaixo do esperado e uma série de investimentos ambiciosos que ainda não geraram retornos significativos. Sua classificação de risco de crédito foi rebaixada e seus títulos despencaram com a deterioração de sua situação financeira.

O plano em discussão inclui um aumento de capital de R$ 3 bilhões a R$ 5 bilhões dos atuais acionistas da Raízen, disseram as pessoas. A Shell contribuiria com R$ 1,5 bilhão a R$ 3,5 bilhões, dependendo das futuras demandas de royalties da empresa, disseram as pessoas.

A Cosan, com sede em São Paulo, poderia injetar R$ 1 bilhão. Rubens Ometto, seu fundador bilionário, contribuiria com outros R$ 500 milhões, disseram as pessoas. Ometto está buscando um empréstimo para financiar a transação, disseram as pessoas.

O plano inclui uma reorganização societária, separando a Raízen Energia, empresa focada na produção de açúcar e etanol, da distribuidora de combustíveis na qual os fundos do BTG investiriam.

A Raízen Energia transferiria então parte de sua dívida para a distribuidora de combustíveis, separando o fluxo de caixa das duas empresas e alocando parte da dívida para o negócio que gera mais caixa. O acordo incluiria ofertas de ações para proporcionar uma saída para credores e detentores de títulos. A proposta também inclui a venda de ativos, disseram as pessoas.

Os números finais e muitos detalhes ainda precisam ser definidos e um acordo, que depende da opinião de credores e detentores de títulos de dívida, pode acabar não sendo alcançado, segundo as pessoas. Uma reunião com credores e detentores de títulos está prevista para esta semana, de acordo com as pessoas.

Um porta-voz da Shell afirmou que a “prioridade da companhia é garantir que a Raízen identifique e busque soluções que sejam sustentáveis para a JV, para os acionistas e para os demais stakeholders da empresa”, e reforçou que a Shell está engajada de forma construtiva para um acordo viável. Cosan, Raízen, BTG e Ometto não quiseram comentar.

O BTG Pactual Holding SA, veículo de investimento dos sócios do banco, investiu R$ 4,5 bilhões na Cosan em um aumento de capital no ano passado. Embora Ometto mantenha o controle dos direitos de voto, com uma participação de 50,01% por meio da Aguassanta, os sócios do BTG se tornaram os maiores acionistas totais após o acordo, com quase 25%.

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