Distribuidoras de combustíveis estão preocupadas com possíveis problemas de abastecimento a partir da suspensão dos leilões de diesel e gasolina pela Petrobras. A petroleira confirmou nesta terça-feira (17) ao Valor que suspendeu os leilões programados para segunda-feira (16) e hoje e que está reavaliando os cenários.
A Petrobras vende os combustíveis nos leilões pelos preços do mercado internacional, acima dos praticados nas refinarias da companhia, que estão defasados em relação aos produtos importados.
O Valor apurou que o Sindicato Nacional das Empresas de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom), que representa grandes distribuidoras do país, enviará ofício ao Ministério de Minas e Energia e à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) alertando sobre o risco de desabastecimento.
Já há registro de relatos de falta de combustível em algumas partes do país. Entidades que representam distribuidoras e postos de combustíveis, como Sindicom, Brasilcom e Fecombustíveis afirmam, porém, não terem sido avisadas por associadas, até o momento, de problemas de abastecimento.
Além do cancelamento dos leilões pela Petrobras, navios carregados com diesel importado e destinados ao Brasil estariam optando por vender para clientes de regiões que paguem mais caro pelo insumo, disse uma fonte do setor. Com isso e sem os leilões da Petrobras, não há como comprar diesel rapidamente, com prazo de entrega de uma semana, para suprir a demanda, uma vez que as importações são realizadas com até 45 dias de antecedência.
Segundo uma fonte, o problema começou com a redução das cotas, pela estatal, de gasolina A e diesel A (ambos sem adição das respectivas parcelas de etanol e biodiesel), mais baratos. Essas cotas são negociadas entre Petrobras e distribuidoras ao preço de refinaria e os pedidos são realizados com três meses de antecedência.
O volume é ajustado dentro de uma faixa prevista nas negociações. Porém, com a crise causada pelo conflito no Oriente Médio, a Petrobras chegou a reduzir os volumes das cotas regulares em torno de 20% a 30%, segundo as fontes.
O leilão se dá com base nos preços das refinarias mais um ágio. Como exemplo, o leilão de diesel S-10 que ocorreria hoje, para entrega em São Paulo, seria com ágio de R$ 1,85 por litro. Para o Nordeste, o ágio mínimo seria de R$ 2,05 por litro.
Na semana passada, o diesel S-10 era vendido com ágio mínimo de R$ 2,30 por litro. O diesel S-500, com maior teor de enxofre, foi negociado pela refinaria Alberto Pasqualini (RS), da Petrobras, com ágio de R$ 1,78 por litro
“A questão do preço é realmente algo que preocupa, porque distribuidoras e revendedores acabaram culpados pelo preço mais alto dos combustíveis, quando na verdade está mais caro na origem”, diz uma das fontes. “Sem esses leilões, não temos como garantir que vamos conseguir abastecer a nossa rede. Na verdade, o que a gente precisa da Petrobras é que continue a ser o fornecedor estrutural”, acrescentou.
