Petróleo volta a ficar acima de US$ 100 após fracasso em negociações entre EUA e Irã

13/04/2026

Fonte: Folha de S.Paulo

  • Cotação do barril tipo Brent avançou 8% nas primeiras negociações referentes a segunda (13)
  • O West Texas Intermediate, usado nos Estados Unidos, ultrapassou os US$ 104

O preço do petróleo subiu na abertura do pregão desta semana após o fracasso nas negociações de paz entre Estados Unidos e Irã e o anúncio feito por Donald Trump de impor um bloqueio naval ao estreito de Hormuz.

O Brent, referência global, avançou 7,07%, cotado a US$ 101,93 às 9h45 (horário de Brasília) desta segunda-feira (13). Ele chegou a atingir US$ 103,88 às 20h30 deste domingo (12) nas primeiras negociações do dia.

O contrato de junho não superava a casa dos US$ 100 desde a última terça-feira (7), quando chegou a alcançar US$ 111,80. Desde o começo da guerra, o petróleo Brent já atingiu US$ 119,42 em 9 de março. Antes do início da guerra no Irã, o barril era negociado estava em US$ 72.

O barril WTI (West Texas Intermediate), usado nos Estados Unidos, foi a US$ 105,62 também às 20h30, mas agora está na casa dos US$ 104, cotado a US$ 104,18, para o contrato de maio.

Já as principais Bolsas da Europa estão em queda entre 0,5% e 1,5% nesta segunda, enquanto os índices da Ásia tiveram uma divisão com uma parte fechando em alta, mas algumas em queda. Na semana passada, a maioria das Bolsas pelo mundo teve valorização com o anúncio do cessar-fogo de duas semanas e a proximidade de um acordo entre EUA e Irã.

“Isso é uma reversão absoluta de qualquer otimismo que havia antes das negociações de paz, com o dólar assumindo papel de porto seguro, o petróleo disparando e a venda de todo o resto”, afirmou Fiona Cincotta, analista sênior de mercado da City Index.

Por outro lado, já vimos os mercados exagerarem às vezes. E acho que especialmente neste cenário, o mercado está tendo dificuldade em precificar corretamente, porque há muita incerteza, muitas incógnitas.”

Os movimentos no início da segunda-feira arrastaram os preços de muitos ativos de volta para perto de onde estavam negociando no meio da semana passada, antes do cessar-fogo de duas semanas.

“O mercado agora está em grande parte de volta às condições anteriores ao cessar-fogo, exceto que agora os EUA também bloquearão os fluxos restantes de até 2 milhões de barris ligados ao Irã através do estreito de Hormuz”, disse Saul Kavonic, analista da MST Marquee em Sydney.

“A principal questão que permanece é se os EUA retomarão os ataques ao Irã, aumentando o risco de ataques à infraestrutura energética em toda a região, o que poderia ter um impacto duradouro além da duração da guerra.”

Moedas sensíveis ao risco, como o dólar australiano e a libra esterlina, ficaram sob pressão, caindo 0,7% e 0,5%, respectivamente. O dólar subiu 0,3%, para 159,78 ienes.

Com as expectativas crescentes de uma retomada da inflação, os investidores precificaram a possibilidade de vários bancos centrais, como o Banco Central Europeu e o Banco da Inglaterra, inclinarem-se para aumentar as taxas de juros neste ano.

A alta na cotação do petróleo vem após uma semana de alívio nos preços. O barril fechou o pregão de sexta (10) a US$ 94, acumulando uma queda semanal de 13% diante da expectativa positiva de investidores com a reunião de sábado (11).

No entanto, o encontro entre representantes americanos e iranianos no Paquistão chegou ao fim sem um acordo. O fracasso trouxe incertezas sobre o futuro do cessar-fogo anunciado na semana passada.

O plano anunciado por Trump para o estreito de Hormuz aprofundou o cenário de incertezas e as perspectivas de alta nos preços de combustíveis.

“A partir de agora, a Marinha dos Estados Unidos, a melhor do mundo, iniciará o processo de bloqueio de todo e qualquer navio que tente entrar ou sair do Estreito de Ormuz”, escreveu Trump em sua rede social. “Também instruí nossa Marinha a procurar e interditar todas as embarcações em águas internacionais que tenham pago um pedágio ao Irã.”

Se o bloqueio do estreito se confirmar, o fluxo de petróleo iraniano para outros mercado ficará impedido.

“Até agora, os EUA permitiram as exportações iranianas de petróleo bruto e derivados, e até flexibilizaram sanções para que mais compradores pudessem importar essas cargas, já que os EUA estavam muito focados em manter os preços do petróleo baixos”, disse, ao Financial Times, Amrita Sen, fundadora e diretora de Inteligência de Mercado da Energy Aspect

“Mas se houver um bloqueio genuíno, são mais 1,5 milhão a 1,7 milhão de barris por dia [b/d] de exportações de petróleo que ficariam paralisados —além dos mais de 10 milhões b/d já interrompidos”. afirmou.

Antes da guerra, cerca de um quinto de todo o petróleo comercializado no mundo passava pelo estreito, uma passagem marítima entre Irã e Omã.

A Guarda Revolucionária do Irã respondeu com um comunicado, alertando que embarcações militares que se aproximarem do estreito serão consideradas uma violação do cessar-fogo e tratadas com rigor e firmeza, ressaltando o risco de uma escalada perigosa.

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Os textos não refletem, necessariamente, a opinião institucional do Sindicato.

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