Impacto da guerra no bolso do cidadão

14/04/2026

Fonte: O Tempo

A nova disparada do preço do petróleo, que voltou a superar o patamar de US$ 100 o barril, com o acirramento do conflito no Oriente Médio promete sacrificar ainda mais o consumidor mineiro e os cofres públicos. Somente no preço da gasolina, a variação entre março e abril chegou 6,51%, atingindo R$ 6,38. Pior foi o avanço do custo do diesel, que subiu 17,4%, sendo negociado a até R$ 7,09, de acordo com pesquisa do Mercado Mineiro, divulgada ontem (13/4).


Antes disso, a divulgação do IPCA de março pelo IBGE mostrou que a inflação oficial em BH, de 0,93%, foi maior que a média nacional (0,88%), pressionada tanto pelos custos dos transportes quanto dos produtos da cesta básica – pressionada pelas chuvas intensas do período e também pela disparada de preço do diesel, que representa um terço das despesas operacionais das transportadoras no país.
Com 65% das mercadorias transportadas por rodovias, variações no preço do diesel inevitavelmente se refletem no custo final do produto para os consumidores.


Infelizmente, o Brasil ainda precisa importar entre 20% e 30% do diesel consumido. E, para reduzir o impacto dessa dependência e da variação dos preços com a crise no Golfo Pérsico, já estão sendo gastos mais de R$ 30 bilhões em um pacote em parceria com os Estados e que inclui subsídio à compra de combustível importado. 
O problema é que essas medidas não contemplavam uma nova disparada de preços internacionais, que podem exigir mais recursos dos cofres públicos para conter a espiral da inflação – e uma eventual reversão na queda da taxa de juros, prejudicando ainda mais o setor produtivo nacional.


O Brasil paga hoje a conta de uma histórica falta de cuidado. Por um lado, com a indústria petroleira no desinvestimento no setor de refino. Por outro – e mais importante – com a austeridade fiscal, negligenciada há anos em favor de ganhos político-eleitorais para quem ocupa o poder. Agora, falta ao país autossuficiência para produzir derivados e dinheiro para  proteger o cidadão de uma alta de preços gerada do outro lado do planeta.

O Clipping Minaspetro reproduz fielmente o que está na imprensa.
Os textos não refletem, necessariamente, a opinião institucional do Sindicato.

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