O único líquido caro que ainda compro em posto hoje em dia é Coca-Cola zero.
Com os preços dos combustíveis em alta — e sem perspectiva de queda rápida depois da disparada causada pela guerra no Irã — muita gente nos Estados Unidos voltou a olhar com mais atenção para os carros elétricos.
Então aqui vai um conselho direto: a melhor experiência com um elétrico só acontece quando você pode carregá-lo onde dorme. Tomada em casa não é detalhe — é o principal. Mais prático e mais barato do que depender de estações públicas.
Agora, um pequeno segredo de quem cobre o setor: mesmo que você ignore a economia com combustível, elétricos ainda fazem mais sentido. Troca de óleo, fluido de transmissão, revisão de freio — tudo isso some ou diminui muito. E convenhamos: ninguém sente falta de sair do posto com cheiro de gasolina na mão.
Para não ficar só no discurso, comprei um Porsche Taycan 4S usado, ano 2021. O carro que custava US$ 164 mil zero quilômetro caiu para US$ 74 mil depois de três anos de leasing.
E isso leva ao ponto principal: hoje, o melhor negócio está nos usados. Não precisa ficar preso a um modelo específico. Há boas opções com preços interessantes. O valor de revenda dos elétricos caiu, e o mercado está prestes a absorver uma nova onda de carros devolvidos de contratos de leasing.
Isso acontece por um incentivo fiscal nos Estados Unidos que oferecia até US$ 7.500 para carros elétricos alugados. As concessionárias aproveitaram — e muito. Agora, com esses contratos chegando ao fim, a oferta aumenta. E quando a oferta sobe, o preço cai.
Na prática, elétricos usados estão se tornando uma porta de entrada para carros mais acessíveis. Modelos de marcas premium como Audi, BMW, Cadillac, Mercedes e Volvo passam a ficar ao alcance de mais gente. Sem motor a combustão, há menos incerteza na manutenção. E, por lei, as baterias têm garantia de pelo menos oito anos ou 160 mil km — além de estarem durando mais do que o previsto.
Para quem busca algo mais barato, Chevrolet Bolt e Nissan Leaf continuam sendo boas portas de entrada, com preços na faixa dos US$ 30 mil. O Bolt 2027, com autonomia de cerca de 417 km, reaproveita a carroceria da geração anterior, mas traz novo conjunto mecânico e interior mais funcional. O Leaf 2026 também evoluiu bastante, com mais conforto e autonomia entre 417 km e 487 km.
Entre os modelos mais disputados do mercado, que incluem Tesla Model 3 e Y, Ford Mustang Mach-E, Kia EV6 e Volkswagen ID.4, duas opções se destacam: Hyundai Ioniq 5 e Chevrolet Equinox EV. Ambos partem de cerca de US$ 37 mil e ainda contam com incentivos que ajudam a baixar o preço.
O Ioniq 5 tem carregamento rápido e diferentes versões, incluindo uma mais esportiva. Já o Equinox EV aposta no básico bem feito: espaço, preço competitivo e uso simples no dia a dia. Não tenta reinventar nada — e talvez seja exatamente esse o ponto.
Para famílias, os SUVs de três fileiras ainda são raros, mas Kia EV9 e Hyundai Ioniq 9 ocupam esse espaço. Ambos têm autonomia acima de 480 km e acomodam até sete ocupantes, com versões mais simples ou mais equipadas. O problema é o preço, que já entra na casa dos US$ 50 mil.
Se a ideia for desempenho, Hyundai Ioniq 5 N e Porsche Macan elétrico entram na conversa. O Hyundai entrega experiência próxima de pista, enquanto o Porsche mantém o comportamento típico da marca. Em comum, a capacidade de acelerar forte sem gastar uma gota de gasolina premium.
Mesmo os elétricos mais básicos já têm nível de refinamento elevado, o que faz modelos de luxo como Lucid Air e Cadillac Escalade IQ parecerem ainda mais isolados do mundo externo. Silenciosos, rápidos e com autonomia que passa dos 700 km no caso do Lucid.
No outro extremo, há propostas como a GMC Sierra EV Denali e a Rivian R1T, que mostram que até picapes elétricas já entraram no jogo — com potência, tecnologia e soluções práticas que vão além do convencional.
Autor/Veículo: O Estado de S. Paulo (Jornal do Carro)
