Plano de recuperação extrajudicial da joint venture de Cosan e Shell tem de ser homologado até dia 8 de junho — Foto: Tomas Cuesta/Bloomberg
A Raízen está em negociações avançadas para a venda de suas operações na Argentina, por US$ 1,4 bilhão (cerca de R$ 7 bilhões), para um consórcio liderado pela trading suíça Mercuria Energy Group, apurou o Valor.
A operação, que pode ser assinada nos próximos dias, deve ser consumada em até três meses e trará um alívio importante ao caixa da Raízen. A joint venture da Cosan e da Shell está reestruturando R$ 65 bilhões em dívidas, em um processo de recuperação extrajudicial. Há detalhes no contrato que ainda dependem de aprovação.
O processo de venda, iniciado há cerca de um ano e meio, atraiu, entre outros interessados, gigantes em seus setores como Trafigura (commodities), Vitol (energia e commodities) e Saudi Aramco (óleo e gás). Investidores locais também olharam o ativo e o empresário argentino José Luis Manzano, que já é sócio da trading suíça em outros projetos, integra o consórcio comprador, segundo fontes.
Com alavancagem financeira elevada – a dívida líquida da companhia correspondia a 5,3 vezes o Ebitda (lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização) em março -, a Raízen já vendeu cerca de R$ 5 bilhões em ativos, entre usinas de cana-de-açúcar e de geração distribuída desde o início do ano passado.
A operação na Argentina, contudo, representa o principal desinvestimento da companhia, e era aguardado por credores, que estão em vias de assinar o plano de reestruturação da empresa.
O plano proposto pela Raízen prevê, em linhas gerais, um aporte de ao menos R$ 3,5 bilhões pela Shell e um potencial aporte de R$ 500 milhões por veículo controlado pela Aguassanta (“family office” de Rubens Ometto, controlador da Cosan), além da conversão de 45% da dívida em ações e o reperfilamento de 55% da dívida em novos instrumentos.
O BTG assessora a Raízen na venda da operação argentina e o UBS, a Mercuria. Procurada, a Raízen não comentou e a Mercuria não se manifestou até o fechamento desta edição.
A Raízen também está fechando nos próximos dias junto com seus credores a redação final da documentação para aprovar o seu plano de recuperação extrajudicial, segundo fontes. Havia expectativa de que tudo já estivesse pronto até o fim de semana passada, mas, dada a complexidade do assunto, foram necessários alguns ajustes, apurou o Valor.
Os termos gerais do acordo já foram acertados, também com os detentores de dívida externa, os “bondholders”, que chegaram a se retirar há algumas semanas da mesa de negociação. Com isso, a companhia espera ter folga para ter o sinal verde de mais da metade do volume da sua dívida para aprovar o plano.
Conforme antecipou o Valor, o grupo de credores externos conseguiu melhorar um pouco a taxa da dívida remanescente que será alongada, de 7,5% para 8%. Assim, voltaram a negociar.
Do volume de R$ 65 bilhões das dívidas que serão reestruturadas, 45% serão convertidos em ações, tornando os credores os controladores da empresa.
Ainda não está certo se Ometto fará de fato o aporte de R$ 500 milhões, visto que houve uma exigência dos credores de que o empresário deixasse a presidência do conselho de administração da Raízen.
Ao final do processo de reestruturação, a companhia será dividida em duas, a Raízen Energia e a Raízen Combustíveis. A companhia tem até o dia 8 deste mês para homologar seu plano de recuperação extrajudicial.
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O ativos da Raízen no país vizinho abrangem uma refinaria, uma unidade de lubrificantes e postos de combustíveis que pertenciam à Shell. Esses ativos foram vendidos para a joint venture em 2018 por US$ 950 milhões.
