- Decisão eleva metas no papel, mas restrições ao transporte pelo Irã mantém produção real em queda
- Enquanto o cartel tenta reverter cortes de 2023, analistas alertam para risco de superávit global
A OPEP+ (Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados) anunciou neste domingo (7) um novo aumento em suas metas de produção de petróleo em igual número de meses, embora a guerra dos EUA com o Irã ainda impeça vários membros do grupo de bombear mais. É a quarta vez que a entidade decide elevar a extração.
A guerra cortou os fluxos de petróleo através do estreito de Hormuz, criando a maior crise de abastecimento global da história, já que membros importantes da OPEP+, incluindo a Arábia Saudita, não conseguem abastecer integralmente os clientes desde o final de fevereiro.
A crise para a OPEP+ piorou quando os Emirados Árabes Unidos deixaram a Organização dos Países Exportadores de Petróleo após quase 60 anos.
Sete membros principais da OPEP+, que reúne a OPEP e produtores aliados, incluindo a Rússia, aumentaram suas cotas de produção de abril a junho em quase 600.000 barris por dia.
Na realidade, ladeada por cortes de exportação dos membros do Golfo, a produção do grupo desabou, registrando média de 33,19 milhões de bpd em abril, em comparação com 42,77 milhões em fevereiro, de acordo com dados da OPEP.
No domingo, os sete membros decidiram aumentar as metas em 188.000 bpd a partir de julho, informou a OPEP em comunicado. O volume é igual ao aumento de junho, que foi ajustado para baixo em relação aos acréscimos mensais de 206.000 bpd em maio e abril para levar em conta a saída dos Emirados Árabes Unidos.
“Um aumento de produção da OPEP+ significa muito pouco enquanto o estreito de Hormuz continuar fechado”, disse Jorge Leon, analista da Rystad e ex-oficial da OPEP.
“Quando o estreito de Hormuz reabrir, o mercado pode passar muito rapidamente do medo da escassez para o medo do excedente.”
Na sexta-feira, os preços do petróleo LCOc1 caíram para cerca de $93 o barril, à medida que os operadores ganharam confiança de que um novo conflito entre os EUA e o Irã se tornava menos provável. Os preços estavam perto de $72 antes do início da guerra.
OPEP+ PERTO DE CONCLUIR REVERSÃO DO CORTE DE PRODUÇÃO DE 2023
Os sete países estão aumentando a produção como parte da reversão gradual de um corte de produção de 1,65 milhão de bpd que o grupo, que na época incluía os Emirados Árabes Unidos, determinou em 2023.
A partir de julho, os sete têm cerca de 567.000 bpd do corte original para devolver ao mercado, levando em consideração a saída dos Emirados Árabes Unidos em 1º de maio, segundo cálculos da Reuters.
Isso significaria que o restante do corte será revertido até o final de setembro, caso a OPEP+ mantenha os aumentos mensais de cerca de 188.000 bpd em agosto e setembro.
Os sete dos 21 membros da OPEP+ que se reuniram no domingo são Arábia Saudita, Iraque, Kuwait, Argélia, Cazaquistão, Rússia e Omã. Nos últimos anos, apenas esses sete e os Emirados Árabes Unidos, quando eram membros, participavam das decisões de política de produção do grupo.
Outras três reuniões da OPEP e da OPEP+, incluindo uma com todos os ministros da OPEP+, também foram agendadas para domingo. Não há previsão de que o encontro de todos os ministros da OPEP+ faça alterações na política de produção global do grupo, disseram fontes da OPEP+ no início do domingo.
