Foto: Siamig / Divulgação
Mesmo com o terceiro adiamento consecutivo da reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), prevista para esta quarta-feira (24/6), para a deliberação do aumento do percentual do etanol anidro na gasolina de 30% (E30) para 32% (E32), o setor sucroenergético do estado vê que a implementação da medida será inevitável. Ainda sim, o adiamento da reunião é considerado danoso para o setor e para o país.
A Associação da Indústria da Bioenergia e do Açúcar de Minas Gerais (Siamig Bioenergia), entidade que representa as agroindústrias de cana-de-açúcar, açúcar, etanol e bioeletricidade do estado, considera o tema como algo “pacificado” no país e que acontecerá cedo ou tarde.
O presidente da entidade e também do Conselho Empresarial de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Cema) da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Mário Campos, afirma que a expectativa era de que, com a reunião desta quarta, havia uma possibilidade forte da nova mistura na gasolina ser implementada a partir do dia 15 de julho, no mais tardar, no dia 1º de agosto. Com o adiamento, a mudança vai se postergando.
O aumento da mistura de etanol anidro na gasolina é um pleito antigo do setor sucroenergético. “A gente trabalha com o ano safra, com a produção na safra, e dessa forma, a cada período que é adiado, a gente vai perdendo essa possibilidade de venda desse produto”, disse o dirigente da entidade.
Ele apontou que o adiamento da mudança para o E32 também é ruim para o país, já que o Brasil ainda importa gasolina. “Um dos motivos do etanol estar sendo aumentado em termos de percentuais na gasolina é justamente essa redução da necessidade da importação de gasolina. Então é ruim para o setor e é ruim para o país”, argumenta Mário Campos.
De acordo com as estimativas do MME, a mudança para o E32 pode reduzir em cerca de 500 milhões de litros por mês a necessidade do país de comprar gasolina do exterior, com potencial de zerar as importações do combustível, o que faria o Brasil ser autossuficiente no abastecimento.
Apesar da postergação desse “próximo passo” da cadeia de combustíveis brasileira, o presidente da Siamig Bioenergia disse entender o adiamento por conta da dificuldade de agenda dos integrantes do CNPE, órgão formado por 17 ministros do governo federal.
O Ministério de Minas e Energia (MME), que preside o conselho, informou que a reunião do foi adiada por motivos de agenda. A pasta declarou que uma nova data será divulgada em breve. Com isso, a composição da mistura do biocombustível na gasolina não tem previsão de ser alterada.
“O que o setor pensa é que esse assunto é um assunto pacificado, é um assunto que vai acontecer, e que, obviamente, essas reuniões que envolvem representantes de vários ministérios, nós sabemos das dificuldades da questão de agenda”, afirma Mário Campos. “Temos convicção de que uma nova data será agendada em breve e nós teremos o aumento da mistura de 30% para 32% de anidro na gasolina”, completa.