Os preços de combustíveis, minerais e do café recuaram em junho e ajudaram a inflação medida pelo Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), conhecida como “inflação do aluguel”, ficar negativa em 0,5%, ou seja, na média, os preços ficaram mais baratos.
A deflação no mês é a primeira desde fevereiro deste ano. Em junho de 2025, o índice havia marcado -1,67%. Em 12 meses, o IGP-M acumula 3,16%.
Os dados foram divulgados nesta segunda-feira pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV).
O IGP-M de junho veio abaixo da estimativa do mercado. O Boletim Focus desta segunda-feira, sondagem do Banco Central com agentes do mercado financeiro, projeta que o índice de junho ficaria em 0,03%. Para o fim do ano, a expectativa expectativaa é acumulado de 6,15% em 12 meses.
O economista da FGV Matheus Dias explica que preços de commodities energéticas e minerais convergiram para patamares pré-guerra no Oriente Médio, ou seja, de antes de março deste ano.
Ele acrescenta que, no cenário agrícola, as principais safras ainda apresentam resultados positivos para o ano. Com mais oferta de produtos, o reflexo é a queda dos preços de cana-de-açúcar e café (em grãos), por exemplo.
“Parte dessa redução nos preços ao produtor tem sido repassada aos preços ao consumidor, com destaque para as quedas em gasolina, etanol e café em pó”, descreve Dias.
A FGV leva em conta três componentes para apurar o IGP-M. O de maior peso é o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que mede a inflação sentida pelos produtores e responde por 60% do IGP-M cheio. Em junho, o IPA apresentou deflação de 0,97%.
Outro componente do IGP-M é o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que responde por 30% do indicador. Em junho, o IPC subiu 0,47%, porém com menor intensidade em relação ao mês anterior, quando teve alta de 0,61%.
O terceiro componente medido pela FGV é o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), que variou positivamente 0,85% no mês.
Para Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, “a queda do IGP-M é um sinal positivo para os custos de produção e pode aliviar parte da pressão sobre contratos indexados ao indicador, mas ainda não é suficiente para reduzir o custo do crédito de forma relevante.”