Couche-Tard é uma gigante global de postos de gasolina e lojas de conveniência e quer operar na América do Sul. A Ultrapar negocia uma fatia da Ipiranga com o grupo canadense Alimentation Couche-Tard, uma das maiores redes globais de postos de gasolina e lojas de conveniência, com mais de 27 mil pontos no mundo, segundo fontes. O grupo opera em 27 países, alguns da América Latina, como México, Honduras e Guatemala, mas ainda não na América do Sul. Por isso, a Ipiranga seria a porta para uma eventual entrada no Brasil e na região. No ano fiscal de 2026, a companhia teve receitas de US$ 76 bilhões e lucro bruto de US$ 14,5 bilhões. A Couche-Tard tem um histórico de crescer por meio de aquisições. A Circle K, uma de suas principais marcas, foi comprada no início dos anos 2000. Em 2025, o grupo tentou comprar a 7-Eleven, com uma oferta de mais de US$ 40 bilhões, mas acabou retirando a proposta. A América Latina vem sendo mencionada como uma região de forte interesse. “A América Latina e o Sudeste Asiático continuam sendo mercados altamente atraentes para expansão”, afirma o grupo no balanço de 2026.
PESO.
O Grupo Ultra busca alocar seu capital de forma vantajosa, sem abrir mão do controle de uma empresa relevante para a geração de caixa. A Ipiranga representa mais da metade do grupo, com R$ 1,6 bilhão de lucro antes dos juros, impostos e amortizações (Ebitda ajustado) no primeiro trimestre de 2026, frente a R$
2,3 bilhões do conglomerado como um todo. O Ebitda é um indicador da capacidade da empresa de gerar caixa. Na B3, a Ultrapar vale mais de R$ 30 bilhões.
NA MESA.
O grupo canadense é assessorado pelo Deutsche Bank e está mais avançado nas conversas. A negociação ocorre há meses e atraiu outros interessados. As conversas, no entanto, ainda não chegaram a uma fase decisiva e podem não evoluir, como já aconteceu com outras interessadas.
NÃO DEU.
A americana Chevron chegou a olhar a Ipiranga mais de perto, para comprar uma fatia minoritária, mas não avançou. A brasileira Vibra também olhou o ativo, com o interesse de comprar 100% do negócio, mas não chegou a se engajar nas negociações, em meio a preocupações concorrenciais. Outra que considerou a compra foi a Saudi Aramco, mas as conversas também não evoluíram.
DESAFIOS.
Apesar dos avanços no combate à ilegalidade, o setor de distribuição ainda tem desafios, o que torna uma negociação mais complexa, de acordo com interlocutores. A atividade cresce pouco, tem um nível de informalidade alto no Brasil, o que abre espaço para o crime organizado, e ainda é pouco atrativo por lidar com combustíveis fósseis. Existem, por exemplo, limitações para a participação de alguns fundos especializados em comprar empresas (private equity).
COM A PALAVRA.
Procurado, o Grupo Ultra não comentou e afirmou que, “sempre que há informações relevantes, comunica o mercado”. A Couche-Tard afirmou que “não comenta rumores de mercado”. O Deutsche Bank não comentou.
CORRIDA.
Com margens pressionadas, as transportadoras estão correndo para revisar créditos do ICMS que podem ter ficado para trás. O tributo, que incide sobre combustível, pneus, peças e manutenção da frota, será extinto gradativamente pela reforma tributária – e a recuperação dos créditos pode ser ameaçada. O potencial de recuperação varia de acordo com o porte da transportadora e o volume de suas operações, diz Jamil Fuad Gurian, advogado tributarista.
US$ 76 bilhões
foi o faturamento da canadense Couche-Tard no último ano fiscal; lucro bruto ficou em US$ 14,5 bilhões
R$ 1,6 bilhão
foi o lucro antes dos juros, impostos e amortizações da Ipiranga no primeiro trimestre de 2026