O Irã está em guerra com os EUA desde fevereiro – Mohammed Salem – 02.jul.26/Reuters
- Barril Brent chega a US$ 79,80 com investidores temendo que fornecimento do commodity volte a ser paralisado
- Forças dos EUA e do Irã trocaram ataques com mísseis e drones neste domingo
Os contratos futuros do barril de petróleo Brent para setembro deste ano dispararam quase 5% nesta segunda-feira (13) e chegaram a ficar perto de US$ 80, patamar que não alcançava desde quarta-feira (8), com o temor sobre uma nova interrupção no fornecimento do produto em virtude do anúncio do novo fechamento do estreito de Hormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo e gás.
Logo na abertura da sessão, na noite de domingo (horário de Brasília), o preço teve uma forte subida e alcançou US$ 78,99. Por volta das 2h45 de segunda, a cotação foi a US$ 79,80 (R$ 407,60), alta de 4,97% em relação ao preço de fechamento na sexta-feira (10).
Depois disso, o preço diminuiu e ficou na casa de US$ 78. Às 9h, o contrato de setembro estava em US$ 78,62 (R$ 401,58), aumento de 3,43%. Já o petróleo WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, subia 3,42%, a US$ 73,85 (R$ 377,21).
O fechamento de Hormuz foi anunciado pela Guarda Revolucionária do Irã no sábado (11), mas não houve negociação para o barril de petróleo. O impacto só ocorreu na noite de domingo (12), quando os mercados na Ásia passaram a precificar o temor sobre uma eventual interrupção no envio do produto.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no entanto, declarou em rede social que o estreito de Hormuz “está aberto”, mesmo com o tráfego na região despencando após Teerã atingir dois petroleiros.
A insegurança levou os negociadores a elevarem de novo o preço do barril Brent, referência mundial. A cotação já havia subido mais de 5% na sexta-feira (10), quando os ataques entre norte-americanos e iranianos aumentaram.
Na semana passada, com a volta da instabilidade no Oriente Médio, os preços do Brent subiram 5,39% após uma sequência de quatro semanas em queda.
As forças dos EUA e do Irã trocaram ataques com mísseis e drones ao longo deste domingo. Teerã atacou instalações americanas em países do Golfo, como Kuwait, Bahrein e Jordânia e voltou a afirmar que o estreito estava fechado.
Os ataques atingiram também o Qatar, importante mediador do conflito nas negociações por um cessar-fogo —o país estava imune aos ataques desde abril. Os Emirados Árabes Unidos, que também não eram atingidos desde maio, afirmaram ter interceptado mísseis e drones vindos do Irã.
A mídia iraniana relatou ataques dos EUA ao redor do porto de Bandar Abbas, onde estão localizadas instalações militares no estreito, e na ilha de Qeshm.
O cessar-fogo, anunciado como grande vitória de Donald Trump há menos de um mês, perdeu sua validade ao longo da semana passada, quando o presidente norte-americano afirmou considerar o acordo provisório como encerrado.
Quando os termos iniciais do fim dos ataques foram assinados entre Irã e EUA, havia a previsão de reabrir o estreito e pôr fim à guerra. Dessa vez, no entanto, Trump voltou a deixar em aberto uma nova rodada de negociações para encerrar os conflitos, iniciados em 28 de fevereiro.
Neste sábado, o Irã emitiu alertas para que os navios que circulavam pela região de Hormuz não navegassem sem sua autorização. Durante a noite, a autoridade local disparou um tiro de advertência contra uma embarcação que navegava em rota não autorizada. Nesse domingo, uma segunda embarcação teria sido imobilizada.
A Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, controlada pelo Irã, disse nesse domingo que a passagem está bloqueada devido ao que chamou de “movimentos ilegais recentes das forças militares dos Estados Unidos na região”. Disse que as permissões serão retomadas assim que a “estabilidade e a calma forem restabelecidas”.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã disse que as negociações em Mascate, realizadas no sábado, focaram na gestão do estreito de Hormuz, porém os EUA, que teriam pressionado Omã, impediram que se chegasse a um resultado sobre o assunto.
Principal negociador do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, publicou em seu perfil no X neste domingo que “a era dos acordos unilaterais acabou. Nós avisamos: cumpram a palavra ou paguem o preço. A realidade está batendo à porta.”