CEO da Azul fala sobre impactos do preço do combustível
Evento com líderes das companhias aéreas discutiu desafios da aviação. Crédito: John Rodgerson, CEO da Azul
O aperto na fiscalização do mercado de combustíveis e a saída da Refit, Refinaria de Petróleo de Manguinhos estão abrindo espaço para uma redistribuição de ganhos no setor – e a Vibra (VBBR3) aparece como a principal beneficiada. Para o Scotiabank, o movimento tende a impulsionar margens e volumes da distribuidora, reforçando o potencial de valorização das ações.
O banco elevou o preço-alvo da ação da Vibra de R$ 35 para R$ 37, indicando potencial de alta de 18,3%.
Somando gasolina, etanol e diesel, a estimativa é de ganho potencial de cerca de R$ 4 por metro cúbico na margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) recorrente e de até 1,5% de volume incremental para a Vibra, com sustentação de margens acima de R$ 200/m³. O efeito é projetado após a dissipação da distorção de preços associada ao conflito no Oriente Médio, que afeta o tráfego pelo Estreito de Ormuz.
No Rio, uma determinação judicial mantém a Refit com a situação cadastral “suspensa” junto à Receita Federal e “impedida” na Secretaria de Fazenda do Estado do Rio de Janeiro, destino de cerca de 74% do volume associado à empresa.
Em relatório assinado pelo analista responsável pela cobertura de óleo e gás para a América Latina, Jorge Gabrich, o banco destaca que a interdição retirou do mercado um agente com peso relevante: cerca de um terço das vendas de gasolina e etanol no Rio de Janeiro e quase um quinto do diesel.
Nesse cenário, apesar da Vibra estar melhor posicionada, a Ultrapar (UGPA3) é considerada uma alternativa competitiva, com um caminho mais claro para retornos após desistir da Rumo (RAIL3), mas com menor potencial nos resultados consolidados, por conta de um portfólio mais amplo e diversificado.
O Scotiabank avalia que as duas distribuidoras negociam com yields (rendimento) de fluxo de caixa livre de dois dígitos, com vantagem para a Vibra por ser um pure play, empresas que operam exclusivamente na internet. A recomendação de desempenho acima da média do setor (Outperform) é reiterada para ambas, acompanhada de elevação de preços-alvo também para Ultrapar (UGPA3): de R$ 31 para R$ 36, com potencial de 25,6%.
A visão para as distribuidoras se mantém apesar de riscos secundários, como a possibilidade de perda de tração da fiscalização em São Paulo, no Norte e no Nordeste, e de parte do volume deixado pela Refit migrar para operadores independentes, em vez de reforçar os incumbentes. O retorno de ativos vinculados ao caso Refit é visto pelo analista como uma ameaça limitada.
Em exploração e produção, a preferência fica com a Petrobras (PETR3; PETR4), pela previsibilidade de dividendos, enquanto a Prio (PRIO3) é posicionada como opção de maior beta. Ainda assim, o Scotiabank demonstra preferência por distribuição em relação a E&P.
O banco ajustou o preço-alvo da Petrobras (PETR4) de R$ 44 para R$ 48, com potencial de 34,7%, e o de Prio (PRIO3) de R$ 56 para R$ 60, indicando potencial de 17,9%. Na direção oposta, a Raízen (RAIZ4) teve o preço-alvo reduzido de R$ 15 para R$ 13, e o da PetroReconcavo (RECV3) foi revisto para R$ 13, abaixo do nível anterior de R$ 15.