(secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária), Augusto Billi • reprodução
Augusto Billi, novo secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária, defendeu a manutenção da tarifa sobre a importação do etanol e a classificou como “relevante” para os produtores brasileiros em meio ao tarifaço norte-americano.
Durante as audiências de negociação entre Brasil e Estados Unidos, os americanos defenderam o fim dessa taxa por ser uma barreira comercial desleal. Na avaliação de Billi, esse imposto é necessário para garantir a competitividade da indústria nacional, especialmente as plantas do Nordeste, disse em entrevista à CNN.
“Aquilo que a indústria nacional tem falado para nós: a tarifa seria relevante. A tarifa ainda é importante, especialmente quando a gente fala das usinas do Nordeste, que são beneficiadas por cotas preferenciais”, afirmou o secretário nesta segunda-feira (27). “E o que o setor fala é que realmente a redução da tarifa de importação seria danosa ao setor”, complementou.
Cota chinesa
À CNN, Billi afirmou que o Ministério projeta que a cota de exportação de carne brasileira para a China se esgote em agosto.
Com o fim da cota de 1,106 milhão toneladas, uma sobretaxa de 55%,que se soma ao imposto de importação de 12% aplicado anteriormente, passará a valer para os embarques brasileiros.
Segundo o secretário, há a possibilidade da China não preencher toda a cota de importação de outros países, como EUA e Argentina, o que, com negociações, poderia resultar em uma ampliação do volume brasileiro livre da sobretaxa.
“Então, a gente percebe que do montante total que a China estabeleceu como cota, como necessidade de importação, ela talvez não consiga receber tudo o que ela esperava. Quem sabe isso é um espaço de negociação para que ela possa realocar e quem sabe o Brasil ser beneficiado com isso”, disse.
Como alternativa ao mercado chinês, o secretário defende a diversificação de mercados e aposta na abertura do mercado com a Coreia do Sul como uma das alternativas.
“A Coreia do Sul é relevante para nós, inclusive em substituição às exportações para a China. Nós vemos Japão e Coreia do Sul como mercados muito importantes para nós”, destacou. “A abertura do mercado da Coreia do Sul para a carne bovina brasileira seria uma excelente notícia para o setor brasileiro”.
Impacto do tarifaço
Billi destacou que cerca de 60% dos produtos do agro foram isentos das sobretaxas de 12,5% e 25% dos Estados Unidos. Por outro lado, o Mapa estima que 37% dos produtos serão impactados pelas duas investigações, com sobretaxa de 37,5%, enquanto 0,2% dos embarques estarão com a alíquota de 25% e 4,1% com taxa de 12,5%.
Para o secretário, a estratégia do Ministério de abertura de mercados, que ultrapassa 660 nos últimos quatro anos, é uma forma de diminuir os impactos dessas taxas.