Vibra, Ipiranga e Raízen ampliaram sua participação conjunta no mercado brasileiro de combustíveis para 59,4% em julho, ante 57,3% no mesmo mês de 2025. As distribuidoras regionais fizeram o movimento inverso e recuaram de 42,7% para 40,6%.
Os dados constam do monitor de distribuição de combustíveis do BTG Pactual, baseado em informações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O mercado comercializou 11,699 milhões de m³ em julho, crescimento de 1,8% em um ano. As três maiores distribuidoras cresceram acima dessa média, enquanto as regionais venderam 3,2% menos.
A Ipiranga registrou a maior expansão, de 10,8%, para 2,122 milhões de m³. A Vibra avançou 3,9%, para 2,609 milhões de m³, e a Raízen cresceu 3,1%, para 2,219 milhões de m³. As regionais comercializaram 4,749 milhões de m³.
A tendência também aparece nos números acumulados de 2026. O mercado cresceu 2,5%, para 76,419 milhões de m³, mas as regionais perderam 3,5% do volume e ficaram com 31,569 milhões de m³.
Todas as grandes distribuidoras avançaram no período. A Ipiranga cresceu 8,9%, a Raízen ampliou as vendas em 7,4% e a Vibra registrou alta de 5,7%. No mercado de diesel, a diferença foi maior: as regionais recuaram 5,7% no acumulado, enquanto as três líderes aumentaram seus volumes.
Menos irregularidades e mais acesso à Petrobras
O BTG atribui a recuperação das grandes distribuidoras a dois fatores: a redução das atividades irregulares no mercado e a vantagem de abastecimento proporcionada por cotas mais robustas de fornecimento da Petrobras.
Essa capacidade permite que as companhias obtenham combustíveis em condições mais competitivas, segundo o banco, além de reduzir sua exposição às oscilações do mercado de importação. O relatório considera que a vantagem tem ajudado as líderes a recuperar clientes atendidos por distribuidoras regionais.
O banco não quantifica separadamente o efeito de cada fator, mas aponta uma tendência consistente de concentração ao longo de 2026. Desde abril, a participação conjunta de Vibra, Ipiranga e Raízen permanece próxima ou acima de 59%.
Ipiranga cresce acima do mercado
A Ipiranga elevou sua participação de 16,7% em julho de 2025 para 18,1% no mesmo mês deste ano. Com o avanço de 1,4 ponto percentual, a diferença para a Raízen diminuiu de dois pontos para 0,9 ponto. A Vibra continuou na liderança, com 22,3%, seguida pela Raízen, com 19%.
O crescimento da Ipiranga ocorreu nos dois principais segmentos acompanhados pelo relatório. As vendas de diesel aumentaram 10,4%, para 1,214 milhão de m³, enquanto os volumes do ciclo Otto ajustado avançaram 11,2%, para 908 mil m³.
Segundo o BTG, a distribuidora se destacou pela capacidade de adquirir combustíveis a preços competitivos e atrair clientes que compram no mercado spot, sem contratos regulares de abastecimento.
As importações representaram 16% das vendas de diesel da Ipiranga em julho. A empresa importou 190 mil m³, dos quais 31% vieram da Rússia. A participação russa diminuiu em relação aos 78% registrados em junho, mas o país continuou presente no mix de suprimento da distribuidora.
Alta do petróleo encarece a referência de importação
O avanço das grandes distribuidoras ocorre em um período de preços elevados no mercado internacional. O petróleo Brent superou US$ 92 por barril nesta terça-feira (1º), após o aumento das tensões no Oriente Médio.
O monitor do BTG calcula que a paridade de importação do diesel subiu de R$ 5,20 por litro em julho para R$ 5,91 em agosto. Na gasolina, a referência passou de R$ 3,80 para R$ 3,87. O banco não apresenta a alta do petróleo como causa direta da mudança nas participações, mas considera que o acesso privilegiado ao fornecimento da Petrobras favorece as grandes distribuidoras nesse ambiente.