Foto: Steferson Faria/Agência Petrobras/Agência Brasil
A quinta-feira (10/9) começou com a notícia de um reajuste de R$ 0,19 sobre o preço da gasolina nas distribuidoras, que, horas depois, virou um desconto desse mesmo valor para as empresas. Uma ida e vinda que ironicamente combina com as incertezas do mercado internacional de petróleo e os temores do impacto sobre a inflação.
Na quarta-feira, o governo federal havia assinado o decreto que reduz o PIS/Cofins sobre gasolina e etanol, diminuindo os tributos federais em R$ 0,63 por litro na primeira e em R$ 0,19 no segundo. Além disso, por meio de medida provisória, o diesel recebeu uma subvenção de R$ 1 por litro. Ao todo, estão sendo liberados em torno de R$ 7 bilhões em subvenções para a produção e importação de combustíveis fósseis.
A guerra no Golfo Pérsico, a redução da oferta e exaustão gradual das reservas de petróleo nos países, os problemas de infraestrutura de produção e as manobras dos investidores para se proteger levaram o preço do barril para além dos US$ 100. Desde agosto, o petróleo tipo Brent já se valorizou cerca de 25% e não há perspectivas de que os fatores que levaram à alta possam ceder no curto prazo.
E isso pressiona os preços internacionais de gasolina e diesel. De acordo com a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), a defasagem no caso da gasolina passa dos 40% e, no caso do diesel, está em torno de 80%. Ou seja, retiradas as medidas de proteção, os reflexos sobre a bomba dos postos seriam devastadores.
Assim, o país fica entre dois fogos: ou contém a ameaça de uma inflação galopante – o preço da gasolina representa em torno de 5% do IPCA, e 45% do frete das mercadorias transportadas por via rodoviária se refere ao custo do diesel –, ou alimenta ainda mais o rombo do governo, que passava de R$ 59 bilhões em agosto deste ano.
Essa é uma armadilha para a qual o Brasil poderia ter se preparado melhor, com incentivos maiores à diversificação da matriz energética, principalmente o etanol, que é uma expertise nacional, e à estocagem, protegendo a economia dos humores e dos conflitos mundiais.