Entrevista com a Abicom: a crise de escassez está de volta?

22/09/2026

O Minaspetro conversou com o presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), Sérgio Araújo, para entender a nova crise de suprimento que atinge o mercado brasileiro em 2026.

O cenário se agravou após o bombardeio de um oleoduto na Arábia Saudita. O problema, que inicialmente era de natureza logística, em razão da operação parcial do Estreito de Ormuz, agora também começa a afetar a oferta de combustíveis.

As consequências já são conhecidas pelos revendedores: dificuldade para encontrar diesel, especulação, práticas comerciais oportunistas e postos de Marca Própria em situação delicada.

Em entrevista exclusiva ao Minaspetro, Sérgio Araújo analisa o momento e apresenta suas projeções para o mercado de combustíveis nos próximos meses.

1. O que mudou nesta fase do conflito e por que o diesel merece atenção especial? Quais fatores estão pesando mais sobre o mercado: disponibilidade de petróleo, capacidade de refino, transporte marítimo ou disputa internacional por cargas? Como esses problemas chegam ao Brasil, mesmo quando o combustível importado vem de países fora do Oriente Médio?

Com a guerra no Golfo Pérsico e o fechamento do Estreito de Ormuz, a disponibilidade de petróleo foi fortemente reduzida, provocando aumento substancial no preço do petróleo.

A capacidade de refino foi severamente reduzida com os ataques que a Ucrânia fez sobre refinarias da Rússia. Hoje, a capacidade de refino da Rússia é de somente 43% da total.

O transporte marítimo foi afetado devido à retenção de diversos navios que não conseguem cruzar o Estreito de Ormuz.

O Brasil é afetado pela redução da oferta de produtos refinados, especialmente o óleo diesel. O preço do diesel no mercado internacional subiu mais de 120%, quando o petróleo Brent subiu em torno de 65%. Sabemos que o Brasil precisa importar entre 25% e 30% de sua demanda interna.

2. Existe risco concreto de faltar diesel no Brasil nas próximas semanas? Como a Abicom distingue o cenário atual entre mercado apertado, restrições localizadas e risco de desabastecimento nacional?

Acompanhamos diariamente o balanço entre oferta e demanda de óleo diesel no mercado brasileiro. Felizmente, pelos line ups que consultamos os abastecimentos de setembro e de outubro estão garantidos.

3. O que faz uma importação de diesel ser viável ou deixar de fechar a conta? Como deve ser interpretada a diferença entre os preços domésticos e a paridade de importação divulgada pela Abicom?

O fato da Petrobras, que é o agente dominante no mercado, praticar preços artificialmente muito baixos, torna as operações de importação mais inseguras. Com o risco de falta de produto, pode acontecer corridas para compras e influenciar os preços.

4. Como as medidas de subvenção estão afetando a contratação de novas cargas?

As subvenções anunciadas pelo governo ajudam na redução das defasagens. É importante que o governo publique medidas mais claras e mais céleres.

5. O que precisa acontecer para a melhora internacional chegar efetivamente aos postos?

Para voltarmos para um cenário mais tranquilo, seria necessário acabar a guerra no Oriente Médio, bem como a guerra da Rússia com a Ucrânia. Infelizmente, são decisões que não conseguimos prever.

O Clipping Minaspetro reproduz fielmente o que está na imprensa.

Os textos não refletem, necessariamente, a opinião institucional do Sindicato.

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