Trump apoia proibição da exportação de diesel devido a preços recordes

23/09/2026

REUTERS/Ken Cedeno

Fonte: CNN

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (22) que apoiava a proibição das exportações de diesel, enquanto candidatos ​republicanos em algumas das disputas eleitorais mais acirradas de novembro defendiam a medida como ​forma de conter os preços recordes dos combustíveis.

Os preços do diesel atingiram níveis recordes nos EUA e na Europa, à medida que as guerras no Irã e na Ucrânia reduziram drasticamente as exportações de alguns dos maiores produtores, como Rússia, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

“Eu disse: ‘Não vamos exportar o diesel. Produzimos muito diesel… Eu pedi isso. Eu pedi isso à minha equipe’”, disse Trump a repórteres antes de uma reunião com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy.

Os altos preços dos combustíveis são um ponto fraco para Trump nas eleições de 3 de novembro, nas quais os republicanos tentam manter a maioria nas duas Casas do Congresso.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, ⁠falando na mesma reunião, disse que o governo estava analisando se ​tal proibição seria viável e se uma proibição total ou parcial funcionaria.

Vários candidatos republicanos nas disputas eleitorais mais acirradas para o Congresso em ​todo o país, como o senador Dan Sullivan, do Alasca, a deputada federal Ashley Hinson, de Iowa, e Mike Rogers, de Michigan, pediram que o governo ⁠Trump implementasse a proibição.

“O combustível americano deve ficar aqui com os americanos”, disse ⁠Sullivan em comunicado nesta terça-feira. “O custo do diesel está simplesmente alto demais. Estou pedindo uma suspensão temporária das exportações de diesel americano ​para ‌que possamos reconstruir nossas reservas antes do inverno e colocar as famílias americanas e do Alasca em primeiro lugar.”

A acessibilidade dos alimentos e de outros bens está no ⁠topo das preocupações dos eleitores antes das eleições de meio de mandato.

Hinson e Rogers também pediram, na segunda-feira, o fim imediato da guerra no Irã, distanciando-se de Trump.

O Departamento de Agricultura dos EUA instou, na semana passada, a Casa Branca a tomar medidas em relação aos preços do diesel, segundo duas fontes a par do assunto.

A secretária de ‌Agricultura, Brooke ⁠Rollins, disse na segunda-feira que ‌havia conversado com Trump sobre o assunto, classificando os preços altos como “uma preocupação real”, segundo o Politico.

Autoridades do setor de energia alertam para os riscos

O apoio de Trump à proibição da exportação de diesel o coloca em desacordo com suas próprias autoridades do setor de energia, que alertam que isso poderia elevar os preços dos combustíveis nas regiões costeiras ⁠e reduzir o abastecimento para os aliados europeus.

O secretário de Energia, Chris Wright, disse em um ⁠evento do Daily Caller na semana passada que uma proibição levaria a um excesso de diesel na Costa do Golfo dos EUA e levaria as refinarias norte-americanas a reduzir as taxas de produção, ‌o que diminuiria rapidamente a produção de gasolina.

“Se você começar a impor barreiras aos fluxos, rapidamente reduzirá a produção e terá menos oferta. Precisamos de mais oferta, não de menos”, disse Wright.

Doug Burgum, secretário do Interior dos EUA, disse que é improvável que uma proibição reduza os preços do petróleo e que isso poderia levar a medidas retaliatórias por parte dos países exportadores de energia, dos quais Estados como a Califórnia dependem para parte de seu abastecimento energético.

O setor petrolífero também ‌se opôs à proibição.

Todd Staples, presidente da TXOGA, uma associação comercial de petróleo e gás natural do Texas, disse que isso “prejudicaria os empregos no mercado interno, levaria à escassez de combustível no país e colocaria o poder nas mãos da China e da Rússia, forçando nossos aliados a recorrer a esses países ⁠para suprir suas necessidades”.

Embora uma proibição à exportação de diesel pudesse, em teoria, reduzir temporariamente os preços na Costa do Golfo dos EUA, ela restringiria ainda mais a oferta na Europa, que sofre com uma escassez estrutural de diesel e depende fortemente das exportações dos EUA.

“Isso pareceria bastante prejudicial para alguns aliados-chave dos EUA”, disse Jim Mitchell, diretor ​de análises de comercialização de petróleo da consultoria Wood Mackenzie.

Trump disse que ele e Zelenskiy discutiriam os ataques ucranianos a refinarias de petróleo na Rússia.

“É um golpe sério ​para os russos. É também um golpe sério para o preço do diesel”, disse Trump, que também informou aos repórteres que os dois líderes discutiriam uma solução para pôr fim à guerra da Rússia na Ucrânia.

“Acho que isso vai acontecer”, disse Trump.

O Clipping Minaspetro reproduz fielmente o que está na imprensa.

Os textos não refletem, necessariamente, a opinião institucional do Sindicato.

Notícias Relacionadas

|
23 setembro
Texto prevê pena de reclusão de quatro a dez anos se a subtração for de petróleo e derivados
|
23 setembro
Em discurso na Assembleia Geral, presidente brasileiro defendeu a diplomacia como saída para os conflitos internacionais.