· O Brasil chegou a 29.866 pontos públicos e semipúblicos de recarga em agosto de 2026; 38,2% oferecem recarga rápida
· Prazos e condições de conexão à rede elétrica estão entre os desafios para colocar novas estações em funcionamento
· A recarga rápida converte a energia no equipamento externo; na lenta, a conversão ocorre no carregador interno do veículo
O Brasil chegou a 29.866 pontos públicos e semipúblicos de recarga de veículos elétricos, segundo levantamento da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) e da Tupi, plataforma de mobilidade elétrica, com dados referentes a agosto de 2026. Desse total, 11.397 oferecem recarga rápida, equivalente a 38,2% da rede. A ampliação da infraestrutura acompanha o avanço dos veículos que utilizam tomada e coloca as condições de conexão à rede elétrica entre os desafios dos operadores, segundo avaliação das duas entidades.
O levantamento aponta a redução do custo dos equipamentos, a evolução tecnológica e o ganho de escala dos operadores entre os fatores que impulsionam a expansão. Também cita a demanda por viagens de média e longa distância e a eletrificação de frotas corporativas e logísticas.
Esse movimento conecta a mobilidade elétrica ao setor de infraestrutura energética. Além de instalar equipamentos, os operadores precisam atender às condições técnicas de fornecimento de energia para colocar as estações em funcionamento.
A conexão à rede como desafio
Na avaliação apresentada pela ABVE e pela Tupi, os prazos e as condições de ligação de novas cargas à rede elétrica passaram a ocupar posição central entre os desafios do setor. A questão ganha relevância com a expansão dos carregadores rápidos, que trabalham com potências maiores.
Segundo Davi Bertoncello, diretor executivo da Tupi e diretor de Comunicação da ABVE, a queda dos custos e o amadurecimento da tecnologia facilitaram a instalação dos equipamentos. O gargalo, em sua avaliação, está agora nos prazos e nas condições de conexão à rede.
A expansão da recarga envolve, portanto, não apenas fornecedores de carregadores e operadores das estações, mas também as distribuidoras de energia. As condições de ligação são uma etapa necessária para viabilizar o funcionamento dos novos pontos.
Como funcionam os dois tipos de recarga
Dos 29.866 pontos identificados no levantamento, 18.469 oferecem recarga lenta, em corrente alternada (AC), e 11.397, recarga rápida, em corrente contínua (DC).
A diferença está na forma como a energia chega à bateria. A rede elétrica fornece corrente alternada, enquanto a bateria do veículo armazena energia em corrente contínua. Para carregar o carro, é necessário converter uma na outra.
Na recarga AC, essa conversão ocorre no carregador interno do veículo, cuja capacidade limita a velocidade do processo. O formato é utilizado em locais de longa permanência, como condomínios, escritórios e estacionamentos.
Na recarga DC, a conversão acontece no equipamento externo, e a energia chega à bateria em corrente contínua. Isso permite trabalhar com potências maiores e reduzir o tempo necessário para repor parte da carga.
O tempo de recarga varia conforme as características do veículo e da bateria, o nível inicial de carga e a potência disponível. Por isso, um carregador de maior potência não oferece necessariamente a mesma velocidade de recarga para todos os modelos.
A frota que utiliza a infraestrutura
Segundo a ABVE, a base de elétricos e híbridos plug-in contabilizada entre 2022 e agosto de 2026 somava 639.133 unidades. Desse total, 313.140 eram veículos 100% elétricos e 325.993, híbridos plug-in.
Os elétricos dependem da recarga para circular. Já os híbridos plug-in combinam bateria recarregável na tomada e motor a combustão, podendo utilizar as duas fontes de energia.
Essa distinção importa para interpretar os números do mercado. A categoria mais ampla de veículos eletrificados também inclui híbridos convencionais, que não utilizam tomada. Portanto, o total de eletrificados não corresponde à base de veículos atendida pela infraestrutura de recarga externa.