Gasolina chega ao fim do ano mais cara em BH e região; o que esperar dos preços em 2027?

Homem pessoa segurando dinheiro diante de bomba de combustível.
03/11/2026

Fonte: O tempo


Gabriel Rodrigues
Jornalista formado pela UFMG, passou pelo jornal Estado de Minas, foi trainee da Folha de S.Paulo e faz parte de O TEMPO desde 2019. Hoje especializado em atualidades e economia,……

A gasolina chega aos meses finais do ano mais cara em Belo Horizonte e região. Na primeira semana do ano, o combustível era encontrado nos postos por um preço médio de R$ 6,33. No final de outubro, havia subido 2,2% e chegado a R$ 6,47, segundo levantamento do site de pesquisa Mercado Mineiro com base em 194 estabelecimentos. Só nas duas últimas semanas do mês, houve aumento de 0,89%, ou R$ 0,06.

O ano até aqui foi de mudanças para o combustível, como o aumento da concentração de etanol na mistura e o subsídio federal para controlar os efeitos dos conflitos no Oriente Médio. Com outras alterações já previstas para os próximos meses, como os preços podem se comportar em 2027?

A principal variável desse cálculo é a guerra no Oriente Médio, introduz o economista do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos e Sociais (Ibeps) Eric Gil Dantas. Sem conclusão, norte-americanos, israelenses e iranianos continuam a discutir condições para o fim da guerra, que se estende desde fevereiro deste ano.

“O preço depende completamente da guerra no Irã. Caso haja uma resolução, como o fim ou algo que amenize o conflito, podemos ver preços menores. Caso não, podemos ver aumentos”, pondera Gil Dantas. O diesel, mais importado pelo Brasil do que a gasolina, sofre ainda mais com o conflito. O aumento do preço desde o início do ano foi de 14,3%, com um salto de R$ 6,06 para R$ 6,93.

Por ora, o governo federal pretende manter no próximo ano os subsídios para o diesel e para a gasolina, conforme defendeu em entrevistas o ministro da Fazenda, Dario Durigan.

A composição de preço também depende da postura que a Petrobras assumir. Em 2026, ela só elevou o preço da gasolina quando havia garantia de que os subsídios federais segurariam o preço na bomba. divulgado na próxima semana. Com perspectiva positiva do mercado, Gil Dantas avalia que ela não tem motivações para realizar novos reajustes.

ICMS aumentará em fevereiro

Diferentemente da instabilidade causada pela guerra, outro aumento de preço já é certo: a partir de 1º de fevereiro, o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o diesel, a gasolina e o gás de cozinha será reajustado. A política é definida pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), que reúne estados e o Distrito Federal.

Com a mudança, o imposto estadual passa a valer da seguinte forma

  • diesel: alta de 11,1%, de R$ 1,17 para R$ 1,30 por litro;
  • gasolina: alta de 4,5%, de R$ 1,57 para R$ 1,64 por litro;
  • gás de cozinha (GLP): alta de 4,8%, de R$ 1,47 para R$ 1,54 por quilo.

Etanol segue competitivo

Na contramão da gasolina, o preço do etanol baixou em BH e região ao longo do ano. Ele começou 2026 custando R$ 4,71 e finalizou outubro a R$ 4,45, redução de 5,5%, segundo o levantamento do Mercado Mineiro. Mesmo com aumento de R$ 0,07 no último mês, o biocombustível continua vantajoso para o motorista perante a gasolina. 

O preço médio do etanol corresponde a 69% do valor da gasolina na capital. A relação varia em cada carro, mas, no geral, o álcool compensa quando seu valor é até 73% o da gasolina, considerando o rendimento de cada opção no motor.

Neste ano, o governo federal aumentou a concentração de etanol na mistura obrigatória com a gasolina comercializada nos postos, de 30% para 32%. Em 2027, testará uma nova elevação, desta vez até 35%, cujos resultados devem ser conhecidos a partir de junho.

O economista do Ibeps Eric Gil Dantas sublinha que, em geral, o preço do etanol acompanha o da gasolina por efeito de aumento da demanda – isto é, quando o combustível fóssil fica mais caro, a alternativa segue o movimento. Já o aumento da concentração do álcool na gasolina pode alterar os preços de forma diferente, finaliza ele. “A E32 faz com que aumente a demanda por etanol, o que pode aumentar o preço”.

Por outro lado, o presidente da Associação da Indústria da Bioenergia e do Açúcar de Minas Gerais (SIAMIG Bioenergia), Mário Campos, destaca que a oferta de etanol deve se manter elevada nos próximos meses. “Esta safra de cana de açúcar está se encaminhando para os meses finais, e foi uma safra em que tínhamos muita cana, mas não conseguimos moer tudo em função do excesso de chuva, então provavelmente encerraremos a safra em dezembro com muita cana no campo. Isso pode fazer com que voltemos a moer mais cedo no ano que vem. Provavelmente, muitas usinas iniciarão suas produções em março. Antes, era em abril. E ainda temos um crescimento forte do etanol a partir do milho”, arremata. 

O Clipping Minaspetro reproduz fielmente o que está na imprensa.

Os textos não refletem, necessariamente, a opinião institucional do Sindicato.

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