Etanol na “crista da onda”

27/05/2024

Fonte: Revista Minaspetro

Em meio à busca por alternativas sustentáveis e renováveis, o etanol desponta como o combustível do futuro, principalmente quando se pensa em transição de matriz energética e energia limpa. O debate se dá no mundo inteiro e, no Brasil, não é diferente, já que a crescente preocupação com as mudanças climáticas e a necessidade de reduzir as emissões de gases de efeito estufa colocam o produto como uma opção viável e promissora para substituir os combustíveis fósseis.

Produzido a partir de matérias-primas renováveis, como a cana-de-açúcar e o milho, o etanol é fruto de tecnologia genuinamente brasileira. Já é uma realidade consolidada no país, onde conta com boa infraestrutura de produção e distribuição. Do ponto de vista econômico, o biocombustível também apresenta vantagens significativas, pois sua produção estimula a agricultura local, criando empregos e gerando renda para as comunidades rurais. Atualmente, o Brasil é líder mundial na produção e utilização de etanol como combustível veicular.

Em recente análise feita à Revista Minaspetro, o economista Mário Campos, presidente da Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig), destacou que 2023 foi um ano de recuperação do mercado de etanol, graças a modificações tributárias que ajudaram a manter o preço competitivo perante a gasolina. Além disso, houve grandes investimentos no sistema agroindustrial, o que possibilitou alta produtividade da cana-de-açúcar. 

Mário Campos participou de debate sobre o etanol em podcast produzido pelo Minaspetro, que pode ser acompanhado no canal da entidade no YouTube. Em bate-papo com o presidente Rafa Macedo e o revendedor Anselmo Rigotti, ele reforçou que o produto segue com viés de alta, uma vez que a safra 2023/2024 da cana-de-açúcar foi a maior da história, não apenas em Minas Gerais, mas também no Brasil. “Minas moeu quase 80 milhões de toneladas de cana, que é um número espetacular. Na safra anterior, o estado tinha moído 68 milhões de toneladas. Para a safra que iniciou agora em abril, a previsão no estado é manter o patamar da anterior, o que é uma ótima notícia”. 

O presidente da Siamig lembrou, ainda, que cerca de 80% do etanol produzido e consumido no Brasil vem da cana – o milho representa os outros 20%. “A tecnologia do milho é recente, tem por volta de cinco anos apenas, mas também apresenta forte tendência de crescimento. Isso vai aumentar ainda mais a oferta do biocombustível no mercado, incentivando a produção e o consumo”.

De olho nos indicadores

Por ser uma commodity, o etanol possui cotações que podem oscilar. No Brasil, a Escola Superior de Agricultura Luís de Queiroz (Esalq) divulga, seja diária ou semanalmente, indicadores de preços agropecuários utilizados na liquidação de contratos futuros. As métricas da Esalq, que é vinculada à USP, ajudam a dar previsibilidade ao preço, o que é importante para que os donos de postos possam calcular seus custos. 

O revendedor Anselmo Rigotti, que atua na região de Pouso Alegre, adverte, contudo, que os empresários devem ficar atentos em relação ao índice Esalq, que está vinculado ao mercado diário de Paulínia (SP), onde está o maior polo produtor de etanol da América Latina. E que os índices devem ser levados em conta de maneira diferenciada pelos empresários bandeirados e os de bandeira branca. Ainda segundo ele, a política de preço para o revendedor bandeira branca depende muito da oscilação diária de Paulínia. “É um mercado spot (instantâneo), que pode abrir um dia em queda, dali a pouco subir de preço e, mais tarde, o produto até sumir. É muito similar a uma Bolsa de Valores, e o mercado às vezes é muito nervoso. Então, o empresário bandeira branca tem que conferir preço o tempo todo e acompanhar as tendências pelo Esalq diário, que é mais volátil”. 

Já para o caso do revendedor bandeirado, a companhia fornecedora é que fecha o preço e, normalmente, a alteração se dá uma vez por semana. Nesse caso, o índice diário não é o mais indicado. “As companhias não seguem o indicador diário de Paulínia, e sim o fechamento que se dá às sextasfeiras, após às 19h, que é o índice semanal Estado de São Paulo para o álcool hidratado combustível”, explica. Para o presidente Rafa Macedo, acompanhar os índices diários de etanol em Paulínia e o índice semanal do Estado de São Paulo deveria ser um dever de casa para qualquer revendedor. “É uma forma de calibrar como eu devo deixar meus estoques e verificar se o preço do etanol está com viés de alta ou de queda. Sempre é bom quando o dono do posto tem esses balizadores e pode confiar nos números, pois ele passa a entender melhor a dinâmica de oferta e demanda para agir de forma estratégica”.

Mais biodiesel no diesel

Produzido a partir de óleos vegetais ou de gordura animal, o biodiesel tem sido cada vez mais adicionado ao diesel tradicional, em razão da baixa emissão de carbono. Por força de lei, a porcentagem do biocombustível vem aumentando cada vez mais, passando de 2% (em 2005) para 5% (em 2008) e dando um salto nos últimos anos, alcançando 12%. Em 1º de março de 2024, o patamar chegou a 14%. O tema foi debatido em outro podcast do Minaspetro, também disponível no YouTube. 

No debate, especialistas e revendedores apontam benefícios do acréscimo do biodiesel principalmente para o meio ambiente, mas também destacam os pontos negativos: a oxidação de peças mecânicas tanto dos automóveis quanto dos equipamentos dos postos, em especial as bombas, filtros, blocos e tanques. Bastante realista, o diretor regional do Minaspetro em Paracatu, Daniel Kilson, avalia que o escalonamento do biodiesel no óleo diesel não vai parar. 

“É uma realidade que veio para ficar e vai continuar a crescer o percentual da mistura. Por isso, é importante que o revendedor aprenda a lidar com isso”. Segundo ele, a qualidade do biodiesel atual produzido no Brasil melhorou muito, principalmente em função da Resolução 920 da ANP, publicada no ano passado.  “Os parâmetros físico-químicos exigidos melhoraram o biodiesel, assim como a presença de aditivos estabilizantes, antioxidantes e antibacterianos. Notei que, depois da publicação da norma, houve uma sensível melhora na qualidade do produto, o que provoca menos problemas nas bombas”. 

Mesmo assim, o diretor recomenda que toda a Revenda faça uma manutenção cuidadosa em seus equipamentos, preocupando-se em antecipar a troca de elementos filtrantes e drenar regularmente os tanques. “Outra dica importante é manter o tanque de armazenamento de combustível mais cheio para que, assim, diminua a quantidade de oxigênio e se evite a oxidação”.

O Clipping Minaspetro reproduz fielmente o que está na imprensa.
Os textos não refletem, necessariamente, a opinião institucional do Sindicato.

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