Foto: Amanda Perobelli – 20.ago.2025/Reuter
A Raízen fechou o quarto trimestre da safra 2025/26 com prejuízo líquido de R$ 7,3 bilhões, em meio à recuperação extrajudicial e ao plano de reestruturação da companhia. Segundo a Reuters, o resultado foi divulgado nesta segunda-feira (29).
O que aconteceu
Prejuízo quase triplicou na comparação anual. Resultado líquido negativo foi de R$ 7,3 bilhões, ante perda de R$ 2,5 bilhões no mesmo período da safra anterior.
Indicadores operacionais vieram mistos no trimestre. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado somou R$ 2,8 bilhões, alta de 46% em um ano, enquanto a receita líquida caiu 11,1%, para R$ 51,3 bilhões.
Dívida da companhia seguiu em alta. Endividamento líquido chegou a R$ 58,2 bilhões no fim do trimestre, valor 69,9% acima do registrado um ano antes.
Empresa diz que o trimestre teve avanços no plano de transformação. A companhia afirma ter reduzido cerca de R$ 1 bilhão em custos e despesas na safra e cortado R$ 3,3 bilhões em investimentos ante o ciclo anterior.
Desempenho foi puxado pela distribuição de combustíveis no Brasil. Nesse segmento, o Ebitda ajustado subiu 60,4%, para R$ 1,7 bilhão, enquanto etanol, açúcar e bioenergia seguiram pressionados por impactos climáticos e menor moagem de cana.
Como a empresa tenta reduzir a dívida
Recuperação extrajudicial avança com apoio de credores. Após obter adesão de mais de 80% dos credores, a Raízen protocolou um plano de reestruturação que prevê aumento de capital de R$ 3,5 bilhões pela Shell, conversão de parte dos créditos em ações e refinanciamento do saldo remanescente.
Pressão financeira se agravou a partir da safra 2024/2025. Secas, queimadas e excesso de chuvas reduziram moagem, produtividade e qualidade da cana, com impacto estimado de 30% no Ebitda; a combinação com juros elevados ampliou o consumo de caixa.
Companhia atribui a piora a um ambiente adverso para o negócio. “Encerramos a safra 2025’26 em um dos ambientes mais desafiadores dos últimos anos para a Raízen, marcado por condições climáticas adversas, volatilidade de commodities, juros elevados e os impactos do mercado ilegal de combustíveis”, afirmou.
Reestruturação também inclui venda de ativos e mudança na estrutura da empresa. Nos últimos 12 meses, a Raízen levantou cerca de R$ 5 bilhões com desinvestimentos e prevê separar os negócios entre Raízen Energia e Raízen Combustíveis até 31 de dezembro de 2027.