BYD promete avançar processo de fabricação local

08/01/2026

Fonte: Valor Econômico

Não foi à toa que durante um jantar de negócios, na quarta-feira (7), em Shenzhen, sede da BYD, Alexandre Baldy, vice-presidente da montadora no Brasil, recebeu de presente uma miniatura de cavalo. No calendário chinês, que começa em fevereiro, 2026 será o ano do Cavalo de Fogo. Representa rapidez e intensidade, qualidades essenciais para o cumprimento da dinâmica agenda que a BYD definiu para a sua operação no Brasil este ano.

Segundo Baldy, entre abril e maio, a fábrica de Camaçari (BA) começará a fazer estamparia, solda e pintura dos veículos. Trata-se dos três mais importantes processos de manufatura da indústria automotiva e passo essencial para uma fábrica deixar de fazer a mera montagem para efetivamente se tornar fabricante de veículos.

Se o início desses processos produtivos acontecer no prazo anunciado pelo executivo, a BYD terá, ainda, pela frente, pelo menos dois a três meses de importação de carros semimontados pagando Imposto de Importação.

No dia 31 de janeiro termina o prazo fixado pelo governo federal para importação de veículos semimontados sem Imposto de Importação. A partir de fevereiro o tributo subirá para 35%.

Hoje, a linha de produção da BYD na Bahia funciona em SKD, sigla em inglês para o sistema por meio do qual os carros chegam ao país montados para receber na fábrica local acabamento final.

Inicialmente, a BYD pedia ao governo federal redução de IPI e prazo de 12 meses para importar veículos semimontados, o que gerou forte resistência das montadoras já instaladas no país.

Queremos estar entre os três primeiros até 2027 e chegar em 2028 na liderança”

— Alexandre Baldy

Em meados do ano passado, pouco antes da inauguração da fábrica em Camaçari, o governo decidiu zerar o tributo do SKD durante seis meses e, ainda, criar cotas, o que beneficiou não só a BYD, mas um grupo de 15 montadoras interessadas nesse sistema de produção.

Baldy garante que entre abril e maio a operação brasileira dará importante passo rumo à nacionalização. Segundo ele, os equipamentos para as etapas de estamparia, solda e pintura já estão na fábrica “embrulhados”.

Essas etapas de produção, diz o executivo, serão implementadas por modelo. Hoje três modelos são produzidos na fábrica da Bahia – Dolphin Mini, King e Song Pro. “Nosso objetivo é chegar no segundo semestre com nacionalização em torno de metade do valor dos carros produzidos”, destaca.

Também em abril, segundo o executivo, a fábrica baiana passará a operar em dois turnos de produção. O terceiro turno começará ainda em 2026, no último trimestre, segundo ele. Até lá, o número de funcionários em Camaçari, diz, passará dos atuais 2 mil para 5 mil e o ritmo de produção de 4 a 5 mil para 20 mil veículos por mês. Hoje, 370 profissionais que vieram da China também trabalham na fábrica para ajudar na montagem dos equipamentos e processos.

Outra novidade anunciada por Baldy é o início da produção, este ano, do quarto modelo da marca em Camaçari. Trata-se do híbrido plug-in Song Plus. O executivo confirmou, ainda, que em maio a montadora começará a produzir no Brasil carros híbridos que poderão ser abastecidos com etanol.

Trata-se de uma tecnologia, destaca o executivo, desenvolvida em parceria pelos engenheiros do Brasil e da China. O primeiro modelo que passará a aceitar etanol no motor será o Song Pro híbrido plug-in, carro que funciona com motores a combustão e elétrico, que também pode ser carregado na tomada.

Baldy e Tyler Li, presidente da BYD no Brasil, estão na China para a revisão de metas cumpridas em 2025 e planejamento para 2026. Das reuniões, comandadas pelo COO, He Zhiqi, participam também representantes comerciais da marca em outros países da América Latina.

Baldy diz ter notado os executivos de países como Argentina, Colômbia, Equador e México, “ansiosos” para que os veículos que saem de Camaçari atinjam índice de 35% de conteúdo local. Com essa premissa, a fábrica baiana poderá começar a exportar.

O ritmo da fábrica precisa acelerar porque, além da perspectiva de começar a exportar, no Brasil, agora a BYD pode, com produção local, entrar no sistema de venda direta, que permite a venda de veículos com impostos reduzidos para frotistas, taxistas e pessoas com deficiência. A empresa já está em negociação com importantes locadoras. “A venda direta representa 50% do mercado”, lembra Baldy.

Parte dos negócios das locadoras é o aluguel de carros para motoristas de aplicativos, que têm demonstrado interesse pelos modelos elétricos e híbridos.

Segundo Baldy, até aqui a operação brasileira consumiu quase R$ 3 bilhões do investimento total de R$ 5,5 bilhões anunciados para a primeira etapa de instalação industrial da companhia no Brasil.

As obras e construções de novos galpões continuam na área, onde antigamente funcionava uma fábrica da Ford. Segundo o executivo, a ideia é abastecer o mercado interno com a produção local. A importação do grupo, destaca, passará a se voltar mais para a linha Denza, a marca de luxo da BYD que acaba de estrear no mercado brasileiro com carros que custam acima de R$ 400 mil.

Desde que entregou o primeiro automóvel, em abril de 2022, a BYD já vendeu mais de 200 mil veículos no Brasil. Em 2025, a montadora chinesa vendeu 112 mil veículos. Isso representou aumento de 50% na comparação com o ano anterior. A marca ficou em sétimo lugar no mercado total de carros e comerciais leves e em quarto se contado apenas o volume vendido no varejo. “Queremos estar entre os três primeiros até 2027 e chegar em 2028 na liderança de mercado”, destaca Baldy.

O executivo calcula crescimento igual em 2026 a despeito das previsões menos otimistas para o mercado total, que continuará afetado por juros elevados, período de eleições e Copa do Mundo. “Vamos ver como será a estreia da BYD em período de Copa”, diz Baldy.

A montadora, diz Baldy, não está preocupada com a chegada de concorrentes da própria China. Neste ano, além da BYD, 13 marcas do país asiático estarão no mercado brasileiro. Além das importadoras e das que já têm fábricas, como a GWM, outras planejam produzir e duas delas já firmaram parcerias com montadoras veteranas para acelerar o início da atividade industrial no país.

É o caso da Leapmotor, que tem aliança global com a Stellantis, e a Geely, dona de diversas marcas, que adquiriu parte da Renault do Brasil. A Leapmotor produzirá em Goiana (PE) e a Geely, em São José dos Pinhais (PR).

Para Baldy, a vantagem dessas parcerias está apenas nas redes de concessionárias já existentes. O executivo não acredita, porém, que o fato de iniciarem a produção em fábricas já instaladas traga alguma vantagem para esses concorrentes.

Para ele, além de serem operações menores do que o tamanho almejado pela BYD, instalações industriais mais antigas precisam de profunda reestruturação para serem adaptadas para receber linhas de produção de veículos eletrificados. “Nós também começamos com uma fábrica que já existia, que pertencia à Ford. Mas não aproveitamos um parafuso sequer”.

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