Foto de: Pulso Comunica
O crescimento dos veículos eletrificados no Brasil tem uma característica que nem sempre aparece nos recordes mensais de vendas. Enquanto muitos mercados utilizam os híbridos convencionais como principal porta de entrada para a eletrificação, o avanço brasileiro vem sendo puxado majoritariamente por veículos que podem ser recarregados na tomada.
Dados divulgados pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) mostram que os modelos plug-in, categoria que reúne os carros elétricos a bateria (BEV) e os híbridos plug-in (PHEV), responderam por 82% dos eletrificados vendidos no país em maio. Foram 36.795 unidades emplacadas no período, contra 8.186 híbridos sem recarga externa, grupo formado pelos HEV e HEV Flex. Na prática, os veículos plug-in venderam mais de quatro vezes o volume dos híbridos tradicionais.
O resultado ajuda a explicar por que a eletrificação brasileira ganhou velocidade nos últimos anos. Em maio, o mercado registrou 44.981 emplacamentos de veículos eletrificados leves, novo recorde para o segmento. Desse total, os elétricos puros responderam por 20.974 unidades, enquanto os híbridos plug-in somaram 15.821 veículos. Juntos, os dois grupos representaram a ampla maioria das vendas do mês.
A força dos veículos plug-in
Os números mostram que a expansão da eletromobilidade brasileira não está concentrada apenas nos híbridos convencionais. Os elétricos a bateria (BEV) registraram crescimento de 198% em relação a maio de 2025, enquanto os híbridos plug-in (PHEV) avançaram 109% no mesmo período. Os dois grupos vêm sendo impulsionados por uma combinação de fatores, incluindo maior oferta de modelos, queda gradual dos preços de entrada, ampliação da infraestrutura de recarga e chegada de novas marcas ao mercado nacional.
Modelos como BYD Dolphin Mini, BYD Song Pro e GWM Haval H6 ajudaram a popularizar tecnologias que até poucos anos atrás estavam restritas a veículos de nicho ou de alto valor agregado.
Híbridos continuam crescendo, mas perderam protagonismo
A predominância dos plug-ins não significa que os híbridos convencionais estejam em queda. Na verdade, eles também continuam crescendo em ritmo acelerado, ainda que sobre uma base bem menor.
Segundo a ABVE, os híbridos convencionais (HEV) alcançaram 4.273 unidades em maio, alta de 278,5% em relação ao mesmo mês de 2025. Já os híbridos flex (HEV Flex) somaram 3.913 emplacamentos, crescimento de 307% na mesma comparação.
O que mudou foi a velocidade de expansão dos plug-ins. O avanço dos elétricos puros e dos híbridos recarregáveis ocorreu de forma ainda mais intensa, ampliando sua participação dentro do mercado de eletrificados.
Hoje, os híbridos sem recarga externa representam apenas 18% das vendas de eletrificados no país, enquanto os modelos com tomada concentram 82% do mercado.
Brasil segue caminho diferente
O cenário brasileiro chama atenção porque difere da trajetória observada em diversos mercados ao redor do mundo, onde os híbridos convencionais continuam desempenhando papel dominante na transição para a eletrificação.
No Brasil, o crescimento dos veículos plug-in ganhou força especialmente nos últimos dois anos, impulsionado pela expansão das fabricantes chinesas, pela chegada de novos híbridos plug-in e pela popularização dos elétricos compactos.
