O setor sucroenergético vê potencial para crescimento do consumo de etanol em Minas Gerais e espaço para que isso aconteça em razão da maior parte da frota de veículos ser flex. A expectativa é que a demanda volte a atingir números consistentes do passado.
Conforme o presidente da Associação da Indústria da Bioenergia e do Açúcar de Minas Gerais (Siamig Bioenergia), Mário Campos, o etanol representa atualmente apenas 21% do ciclo Otto no Estado, indicador que combina vendas de etanol hidratado e gasolina comum. Anteriormente, o biocombustível chegou a ter participação de 36%.
De acordo com ele, o etanol está atrativo para o consumidor em Minas. Neste momento, a relação média de preços entre o etanol hidratado e a gasolina comum é de 61% no Estado, mesmo com a gasolina no mercado mineiro figurando entre as mais baratas do Brasil.
Apesar dos preços competitivos, o biocombustível enfrenta resistência. Campos ressalta que, em junho, o consumo de etanol no Estado não cresceu mesmo com a paridade positiva. Na avaliação dele, o resultado reflete a demora do consumidor em migrar da gasolina para o etanol hidratado, visto que, nos últimos anos, a migração ocorreu de maneira oposta.
O presidente da Siamig afirma que os motoristas estão habituados a chegarem ao posto de combustível e abastecerem com gasolina. Para que esse costume mude, ele diz que é preciso apresentar as vantagens do etanol, algo que o setor tem buscado fazer.
“Os preços estão muito atrativos, mas o consumidor ainda está um pouco reticente em trocar a gasolina pelo etanol e estamos trabalhando para que isso ocorra o mais rápido possível”, afirma Campos, mencionando que a Siamig lançou uma campanha publicitária para mostrar aos motoristas os benefícios do biocombustível frente à gasolina em aspectos econômicos, ambientais e de desenvolvimento regional, por exemplo.
Ainda segundo Campos, existe uma ansiedade neste momento para que o consumo do etanol cresça rapidamente. O motivo é o excedente da produção de etanol no País, que deve alcançar quatro bilhões de litros em 2026.
“No Brasil, além da recuperação do sistema de cana-de-açúcar, que representa 70% da produção de etanol, tivemos neste ano um crescimento muito forte do etanol de grãos, em especial o de milho, que hoje representa 30% da produção. Isso fará com que o País atinja a maior produção de etanol de sua história, alcançando cerca de 42 bilhões de litros”, salienta.