De Braskem a Raízen, recuperações extrajudiciais quase dobram no Brasil em dois anos

26/08/2026

Fonte: timesbrasil

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Os pedidos de recuperação extrajudicial quase dobraram no Brasil em apenas dois anos, em meio a um ambiente de juros elevados e aumento da pressão financeira sobre empresas endividadas.

Dados do Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial (OBRE) mostram que o número de casos saltou de 43 em 2023 para 66 em 2024 e chegou a 82 em 2025, maior volume anual da série. Entre 2023 e 2025, a alta foi de 90,7%.

Em 2026, outros 44 casos já haviam sido catalogados até esta terça-feira (25). Somados, os processos distribuídos desde 2023 chegam a 235, o equivalente a 71% das 329 recuperações extrajudiciais identificadas pelo observatório desde 2005.

Neste ano, duas companhias de grande porte, Raízen e Braskem, recorreram ao instrumento para tentar reorganizar dezenas de bilhões de reais em obrigações financeiras.

A Raízen entrou no processo com R$ 65,1 bilhões em dívidas abrangidas pela negociação. Meses depois, a Braskem apresentou um pedido para reestruturar cerca de US$ 10,9 bilhões, na casa dos R$ 55 bilhões.

Juros altos aumentam pressão sobre empresas endividadas

Parte do salto pode ser explicada pelo próprio custo de carregar dívida no Brasil. Durante a pandemia, a Selic chegou a 2% ao ano e permaneceu nesse nível entre agosto de 2020 e março de 2021. Empresas tiveram acesso a dinheiro muito mais barato e ampliaram dívidas, investimentos e operações em um ambiente bastante diferente do atual.

A conta ficou mais pesada à medida que os juros avançaram. Mesmo depois dos cortes iniciados neste ano, o custo do crédito empresarial permanece elevado. Em junho, a taxa média das novas operações de crédito livre para empresas estava em 24,4% ao ano, segundo o Banco Central.

Para companhias altamente alavancadas, o problema aparece principalmente quando chega a hora de refinanciar dívidas antigas. Empréstimos e títulos contratados em condições mais favoráveis vencem e precisam ser substituídos por novas obrigações mais caras, consumindo uma parcela maior do caixa.

Foi aí que a recuperação extrajudicial ganhou espaço. Em vez de levar toda a estrutura financeira para uma recuperação judicial ampla, a companhia pode concentrar a renegociação em determinados grupos de credores e tentar alongar vencimentos, reduzir desembolsos imediatos ou reorganizar outras condições da dívida.

O resultado é uma combinação de mais empresas pressionadas e uma ferramenta que se tornou mais fácil de usar.

Raízen levou R$ 65,1 bilhões para a mesa

A Raízen recorreu à recuperação extrajudicial para reorganizar R$ 65,1 bilhões em obrigações, transformando o caso em um dos maiores processos do tipo já registrados no país.

O plano de reestruturação divulgado pela companhia prevê uma ampla reorganização financeira e mudanças de governança, incluindo a atuação de um Chief Restructuring Officer, executivo dedicado à reestruturação, e de um comitê de credores responsável por acompanhar a execução das medidas.

A empresa também incluiu no processo medidas de capitalização e alterações na estrutura operacional e societária.

Braskem chega com alavancagem de 6,7 vezes

Na Braskem, o pedido veio mesmo depois de uma melhora pontual nos resultados operacionais.

A petroquímica registrou Ebitda de US$ 1,04 bilhão no segundo trimestre, mas a própria companhia atribuiu parte relevante desse desempenho ao aumento temporário dos spreads petroquímicos provocado pelas restrições de oferta associadas ao conflito no Oriente Médio.

O ganho operacional não eliminou o problema do balanço. A Braskem terminou junho com alavancagem de 6,74 vezes, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda.

Poucos dias depois da divulgação do resultado, a companhia recorreu à recuperação extrajudicial para renegociar cerca de US$ 10,9 bilhões em obrigações financeiras. Ou seja, mesmo um trimestre de geração operacional excepcional não foi suficiente para resolver a pressão de uma estrutura de capital carregada.

Recuperação extrajudicial deixa de ser exceção

Ao todo, segundo o OBRE, foram 17 recuperações extrajudiciais em 2021, 20 em 2022, 43 em 2023, 66 em 2024 e 82 em 2025. Em quatro anos, o instrumento deixou de aparecer em algumas dezenas de situações isoladas para atingir sucessivos patamares recordes.

Em 2026, março concentrou 13 dos 44 casos catalogados até agora. Fevereiro e julho tiveram sete cada.

O observatório ressalta que a base é dinâmica e pode incorporar processos meses depois da distribuição, conforme novos casos são identificados. Por isso, o número deste ano ainda pode aumentar mesmo sem novos pedidos.

O Clipping Minaspetro reproduz fielmente o que está na imprensa.

Os textos não refletem, necessariamente, a opinião institucional do Sindicato.

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