Discurso repetitivo

07/04/2026

Fonte: Diário do comércio

Em meio às incertezas debitadas à conta das políticas ditadas pelo atual inquilino da Casa Branca, com repercussões planetárias bem conhecidas, o foco das atenções globais se desloca para o Irã a as fortes repercussões nos preços internacionais do petróleo. Assunto de repercussão imediata e de interesse geral que já provoca riscos de desabastecimento para países mais dependentes de importações, além de escalada geral dos preços dos combustíveis líquidos.

Ganham importância neste contexto recentes declarações da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, que depois de recordar que atualmente a produção interna de óleo diesel atende a 70% do consumo do país, anunciou que a empresa está revisando seu plano de negócios e estuda a possibilidade de tornar o Brasil autossuficiente nos próximos cinco anos. A meta da companhia é elevar esse percentual a 80%, aumentando a produção nacional em 300 mil barris de diesel/dia e chegar, adiante, a condições de refinar a totalidade do consumo. Segundo a presidente, para “dar ao consumidor a certeza de que as volatilidades externas não vão mais nos assombrar”. E para os acionistas, a garantia de um mercado que, talvez, seja o maior da América Latina, disse a executiva.

Sem lugar a dúvida, um tiro no alvo, traduzindo precisamente o que mais interessa ao país, presentemente, no que diz respeito ao petróleo e seus derivados, assunto já abordado neste espaço em mais de uma oportunidade. Também um discurso que não chega a ser novo, lembrando declarações ditas e repetidas em crises anteriores, quando a autossuficiência em extração de óleo bruto era também apontada com sonho capaz de livrar o país exatamente das “volatilidades externas”, agora relembradas.

Temos óleo cru em abundância, extraído de reservas descobertas pela Petrobras em águas profundas, com produção que beira 3 milhões de barris/dia, com excedentes exportáveis equivalentes a dois terços da produção. Mas não nos livramos das tais “volatilidades externas” por conta de supostos interesses de acionistas minoritários da Petrobras que nos impõem aceitação passiva dos preços internacionais, aqueles contaminados pela especulação tanto na paz quanto na guerra. Nada que possa ser explicado à luz da razão e do entendimento de que estamos falando de questões estratégicas que deveriam ser tratadas num outro patamar.

E enquanto isto não acontecer, enquanto as razões de Estado não prevalecerem, prosseguiremos no estado de dependência que impõe aos consumidores internos preços abusivos e reajustes que provocam desequilíbrios que bem poderíamos contornar se, de fato, estivéssemos trabalhando para anular as tais “volatilidades”.

O Clipping Minaspetro reproduz fielmente o que está na imprensa.
Os textos não refletem, necessariamente, a opinião institucional do Sindicato.

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