Os veículos eletrificados foram o principal motor de crescimento do mercado automotivo brasileiro na primeira quinzena de fevereiro de 2026, enquanto as montadoras chinesas consolidaram presença entre as líderes do setor. Os dados são da Bright Consulting.
O Brasil emplacou 86.565 veículos leves no período, alta de 26,6% frente à primeira quinzena de janeiro e crescimento de 13% em relação ao mesmo período de 2025. Apesar do avanço generalizado, a expansão do mercado segue fortemente concentrada na eletrificação.
Eletrificados explicam a maior parte do crescimento
Os eletrificados somaram 13.487 unidades na quinzena, avanço de 18,7% sobre janeiro e alta de 104,6% na comparação anual. A participação atingiu 15,6% do mercado total.
O dado mais relevante está na contribuição para a expansão do setor: cerca de 6.896 unidades do crescimento anual do mercado vieram dos eletrificados, o equivalente a aproximadamente 69% da alta registrada no período. O restante do mercado, formado por veículos não eletrificados, apresentou crescimento bem mais moderado.
No acumulado de 2026, os eletrificados já somam 40.257 unidades, aumento de 77,3% sobre 2025, com participação próxima de 16,2%, quase o dobro do registrado no ano anterior.
Os números indicam que a eletrificação deixou de ser um movimento marginal e passou a representar o principal vetor de expansão estrutural do mercado brasileiro.
Híbridos lideram
A distribuição por tecnologia mostra um mercado ainda diversificado, sem domínio absoluto de uma única solução.
Na primeira quinzena de fevereiro:
- híbridos plenos (HEV): 4.205 unidades, 31,2% do total
- elétricos a bateria (BEV): 4.104 unidades, 30,4%
- híbridos plug-in (PHEV): 3.679 unidades, 27,3%
- mild hybrid (MHEV): 1.499 unidades, 11,1%
Os híbridos convencionais lideram o volume neste começo de mês, impulsionados principalmente pela Toyota, responsável por cerca de um terço das vendas do segmento. Ainda assim, os elétricos puros já aparecem praticamente empatados em participação, refletindo a ampliação da oferta e maior competitividade de preços.
Entre os modelos, o BYD Dolphin Mini liderou com folga entre os elétricos, com mais da metade das vendas da categoria, enquanto o BYD Song Pro foi o destaque entre os híbridos plug-in.
O avanço simultâneo de BEVs e PHEVs indica aceleração do processo de transição tecnológica no país, com crescimento tanto das soluções intermediárias quanto da eletrificação total.
Marcas chinesas consolidam presença
O crescimento da eletrificação está diretamente ligado ao avanço das montadoras chinesas. Na primeira quinzena de fevereiro, elas responderam por 13,2% das vendas totais do mercado brasileiro, leve recuo em relação a janeiro (13,9%), mas ainda em patamar elevado.
A BYD já aparece entre as principais fabricantes do país, com participação de 6,2% das vendas no período, enquanto a GWM entrou no grupo das dez maiores montadoras.
O desempenho reforça uma estratégia centrada em eletrificação e ganho de volume por meio de portfólio focado em modelos eletrificados e posicionamento competitivo em preço e tecnologia.
Mesmo com a oscilação mensal, a presença das marcas chinesas mantém trajetória estrutural de crescimento, tendência que deve se intensificar com a ampliação das operações locais e maior oferta de produtos.
Apesar da alta nas vendas totais, os dados mostram que a transformação do mercado brasileiro ocorre de forma seletiva. O crescimento está concentrado principalmente na eletrificação e no avanço das montadoras chinesas, enquanto o restante do mercado apresenta evolução mais gradual.
Se o ritmo atual se mantiver ao longo de 2026, a eletrificação tende a se consolidar como principal vetor de crescimento do setor automotivo brasileiro.