Enquanto não definem a estratégia de produção de veículos híbridos ou elétricos no Brasil, montadoras veteranas e com fábricas no país seguem a receita das marcas chinesas e ampliam a oferta de modelos elétricos importados. A General Motors inicia este mês a pré-venda do Blazer EV, um utilitário esportivo grande e luxuoso, 100% elétrico e produzido no México.
Com o novo veículo, a General Motors não apenas volta a oferecer modelos elétricos, como fez anteriormente com Volt e Bolt, como também entra no chamado segmento premium, no qual não estava atuando.
Segundo a diretora de marketing de produto da GM, Paula Saiani, pesquisas da empresa indicaram que 30% dos consumidores de carros de luxo têm a intenção de optar por modelo 100% elétrico.
“O fato de esse veículo (Blazer) ser elétrico nos permite participar do segmento premium”, destaca Santiago Chamorro, presidente da GM na América do Sul.
No passado, o luxo esteve mais presente na linha de produtos da GM. Chamorro lembra de ícones, como o Opala, por exemplo. Com o advento do carro popular, na década de 1990, a estratégia havia mudado nos últimos anos.
Com itens requintados de conforto, tecnologia e segurança, o Blazer oferece equipamentos que parte dos consumidores brasileiros começou a conhecer melhor com a chegada das marcas chinesas ao país.
É o caso da tela de 17,7 polegadas para navegação e entretenimento. Ou a partida sem chave ou botão – o carro “entende” e inicia o sistema assim que o motorista senta e coloca o cinto de segurança. O espelho interno também possui uma câmera.
Outra novidade em tecnologia é o chamado Google Built-in, que oferece aplicativos como mapas e assistentes de voz da Google. E até avisa se a carga da bateria será insuficiente para percorrer determinado trajeto.
“A Inteligência Artificial nos permitirá, cada vez mais, falar com o veículo. Hoje o consumidor já nos diz que quer, dentro do seu carro, continuar com a rotina da conectividade proporcionada pelo celular”, destaca Chamorro.
Mas o maior apelo do lançamento da GM está na eletrificação. O Blazer usa a mais nova plataforma elétrica da GM, a Ultium, que oferece capacidade de carga 70% superior à de gerações anteriores. Dois motores elétricos geram até 347 cavalos. Com uma carga completa, as baterias garantem autonomia de 481 quilômetros segundo cálculos do Inmetro, ou mais de 600, segundo testes da empresa. O sistema também permite carregamento rápido, podendo chegar a 80% de carga em quarenta minutos.
O desenvolvimento da plataforma Ultium exigiu pesados investimentos da GM nos Estados Unidos, um mercado no qual a companhia planeja ter toda a linha 100% elétrica até 2035.
A GM não fixou, ainda, o preço do novo veículo, que virá do México. A isenção do Imposto de Importação, de 35%, previsto no acordo de intercâmbio entre Brasil e México, está atrelada à quantidade de peças produzidas na América Latina, um cálculo que ainda não foi concluído, segundo a empresa.
Por enquanto, será aberta a pré-venda do veículo. O consumidor que o reservar não saberá o preço. Na apresentação do Blazer à imprensa, a GM comparou seu novo modelo ao Porsche Macau e ao BMW iX3, modelos com preços a partir de R$ 500 mil.
Até o ano passado, a direção da GM na América do Sul dizia que a empresa estava decidida a ir direto para os carros 100% elétricos, em todo o mundo, sem passar pelos híbridos.
Há poucos dias, no entanto, a direção da empresa começou a cogitar a produção de modelos híbridos atendendo, segundo Chamorro, a um “pedido do consumidor”. Mas, destaca o executivo, um tipo de tecnologia não exclui as outras.
“Quando inventaram a televisão o rádio não morreu”, afirma Chamorro em referência à continuidade da produção de veículos a combustão no Brasil.
Mesmo assim, o avanço da eletrificação determina novas tendências relacionadas à descarbonização e à sustentabilidade do planeta. A GM se prepara, agora, para, ainda este ano, trazer mais um SUV totalmente elétrico importado, o Equinox.