O Minaspetro conversou com o presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), Sérgio Araújo, para entender a nova crise de suprimento que atinge o mercado brasileiro em 2026.
O cenário se agravou após o bombardeio de um oleoduto na Arábia Saudita. O problema, que inicialmente era de natureza logística, em razão da operação parcial do Estreito de Ormuz, agora também começa a afetar a oferta de combustíveis.
As consequências já são conhecidas pelos revendedores: dificuldade para encontrar diesel, especulação, práticas comerciais oportunistas e postos de Marca Própria em situação delicada.
Em entrevista exclusiva ao Minaspetro, Sérgio Araújo analisa o momento e apresenta suas projeções para o mercado de combustíveis nos próximos meses.
1. O que mudou nesta fase do conflito e por que o diesel merece atenção especial? Quais fatores estão pesando mais sobre o mercado: disponibilidade de petróleo, capacidade de refino, transporte marítimo ou disputa internacional por cargas? Como esses problemas chegam ao Brasil, mesmo quando o combustível importado vem de países fora do Oriente Médio?
Com a guerra no Golfo Pérsico e o fechamento do Estreito de Ormuz, a disponibilidade de petróleo foi fortemente reduzida, provocando aumento substancial no preço do petróleo.
A capacidade de refino foi severamente reduzida com os ataques que a Ucrânia fez sobre refinarias da Rússia. Hoje, a capacidade de refino da Rússia é de somente 43% da total.
O transporte marítimo foi afetado devido à retenção de diversos navios que não conseguem cruzar o Estreito de Ormuz.
O Brasil é afetado pela redução da oferta de produtos refinados, especialmente o óleo diesel. O preço do diesel no mercado internacional subiu mais de 120%, quando o petróleo Brent subiu em torno de 65%. Sabemos que o Brasil precisa importar entre 25% e 30% de sua demanda interna.
2. Existe risco concreto de faltar diesel no Brasil nas próximas semanas? Como a Abicom distingue o cenário atual entre mercado apertado, restrições localizadas e risco de desabastecimento nacional?
Acompanhamos diariamente o balanço entre oferta e demanda de óleo diesel no mercado brasileiro. Felizmente, pelos line ups que consultamos os abastecimentos de setembro e de outubro estão garantidos.
3. O que faz uma importação de diesel ser viável ou deixar de fechar a conta? Como deve ser interpretada a diferença entre os preços domésticos e a paridade de importação divulgada pela Abicom?
O fato da Petrobras, que é o agente dominante no mercado, praticar preços artificialmente muito baixos, torna as operações de importação mais inseguras. Com o risco de falta de produto, pode acontecer corridas para compras e influenciar os preços.
4. Como as medidas de subvenção estão afetando a contratação de novas cargas?
As subvenções anunciadas pelo governo ajudam na redução das defasagens. É importante que o governo publique medidas mais claras e mais céleres.
5. O que precisa acontecer para a melhora internacional chegar efetivamente aos postos?
Para voltarmos para um cenário mais tranquilo, seria necessário acabar a guerra no Oriente Médio, bem como a guerra da Rússia com a Ucrânia. Infelizmente, são decisões que não conseguimos prever.