A recente alta do preço da gasolina nos Estados Unidos voltou a colocar os carros elétricos no radar de muitos consumidores. O movimento ocorre após a escalada do petróleo provocada pela tensão geopolítica envolvendo o Irã, que fez o combustível subir rapidamente no país.
Desde o final de fevereiro, o preço médio do galão de gasolina regular nos Estados Unidos subiu cerca de 21%, chegando a US$ 4,26 (cerca de R$ 22,28, ou R$ 5,89 por litro), nível que não era registrado há quase três anos.
Quando o combustível sobe, o interesse por elétricos volta
Historicamente, aumentos rápidos no preço do combustível costumam ter impacto direto no interesse por veículos eletrificados. E sinais desse movimento já começam a aparecer novamente no mercado americano.
Segundo dados da plataforma CarEdge, especializada em negociação de veículos com concessionárias, o tráfego de buscas por carros elétricos cresceu cerca de 20% na semana seguinte ao início das tensões envolvendo o Irã.
Para alguns modelos específicos, o crescimento foi ainda mais significativo. O interesse por elétricos populares como Tesla Model Y e Chevrolet Equinox EV praticamente dobrou no mesmo período.
Quando a conta da gasolina pesa no bolso
O impacto é mais evidente entre motoristas que dirigem veículos grandes e menos eficientes. Nos Estados Unidos, cerca de 50 milhões de motoristas utilizam picapes, enquanto outros 10 milhões de lares possuem SUVs de grande porte, veículos naturalmente mais dependentes do combustível.
A Bloomberg cita o caso de Michael Prichinello, cofundador do Manhattan Classic Car Club, que percorre cerca de 220 milhas (aproximadamente 354 km) por dia em uma picape Chevrolet Silverado. Com o recente aumento da gasolina, o custo diário de combustível já se aproxima de US$ 50.
Mesmo sendo um entusiasta declarado de carros esportivos e motores tradicionais, ele passou a considerar a compra de uma picape elétrica para reduzir os gastos com combustível.
O ponto de virada do preço da gasolina
Especialistas do setor afirmam que existe um nível de preço que costuma mudar o comportamento do consumidor americano.
Segundo Steven Cegelka, diretor de operações da consultoria automotiva Ignition Dealer Services, quando o preço da gasolina ultrapassa aproximadamente US$ 4 por galão, muitos compradores começam a recalcular o custo de uso de seus veículos.
Nesse momento, elétricos e híbridos entram novamente na equação de compra.
A escolha, no entanto, nem sempre é exclusivamente entre um carro totalmente elétrico ou um modelo a combustão. Para muitos consumidores, os híbridos também aparecem como alternativa intermediária.
Estoques elevados de elétricos
O aumento recente do interesse acontece em um momento peculiar do mercado americano. Após o fim dos incentivos federais de até US$ 7.500 para compra de veículos elétricos, as vendas de EVs recuaram cerca de 36% no último trimestre em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Com a desaceleração, montadoras reduziram a produção ou revisaram o lançamento de novos modelos. Ainda assim, o estoque de carros elétricos disponível nos Estados Unidos permanece elevado.
Segundo dados citados pela Bloomberg, o volume de elétricos disponíveis nas concessionárias atualmente é quase o dobro do estoque de veículos com motor a combustão.
Um efeito que pode durar meses
Economistas observam que o impacto da alta da gasolina depende principalmente da duração da escalada de preços.
Elaine Buckberg, economista da Universidade de Harvard e ex-chefe de economia da General Motors, avalia que aumentos pontuais tendem a afetar apenas consumidores que já estavam no processo de troca de carro.
Por outro lado, se os preços permanecerem elevados por alguns meses, o efeito pode se espalhar para um público mais amplo. Nesse cenário, mesmo consumidores que não planejavam comprar um carro novo podem começar a considerar a eletrificação como forma de reduzir a exposição à volatilidade do combustível.
A experiência recente reforça esse comportamento. Em 2022, quando o preço da gasolina nos Estados Unidos ultrapassou US$ 5 por galão após a invasão da Ucrânia pela Rússia, as vendas de veículos elétricos cresceram 66% no país naquele ano.
