O governo federal estuda aumentar o percentual de etanol na gasolina vendida no Brasil. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, anunciou nesta terça-feira (9/6) que submeterá ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) uma proposta para elevar a mistura de etanol anidro dos atuais 30% para até 32%. A decisão deve ser avaliada nos próximos 15 dias e atende a uma demanda do setor de biocombustíveis.
O anúncio foi feito após reunião no Palácio do Planalto com o presidente Lula, outros ministros e representantes de associações e empresas do setor sucroalcooleiro.
O impacto no bolso de quem abastece
Para o consumidor, a mudança pode significar uma redução direta no preço pago no posto. O presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), Evandro Gussi, explicou que hoje o litro do etanol custa, em média, R$ 2,40 a menos do que o da gasolina pura. “Um aumento da mistura de 2% vai trazer uma redução equivalente a essa para o consumidor”, afirmou.
Gussi acrescentou que, nos últimos três meses, desde o início do conflito no Irã, a diferença de preço entre os dois combustíveis gerou uma economia de cerca de R$ 2 bilhões para os brasileiros e evitou gastos de R$ 8 bilhões com importações de gasolina.
Menos dependência de importação
Além do impacto no preço, o aumento do percentual de etanol na gasolina tem um efeito direto sobre a dependência brasileira de combustível importado. Segundo o ministro Alexandre Silveira, a medida deve gerar uma economia de 450 milhões de litros de gasolina importada, fortalecendo a segurança energética do país.
“É segurança energética, é modicidade no preço do combustível, é descarbonização, é desenvolvimento nacional, é mais plantio, é mais emprego, é mais renda. São políticas públicas focadas no desenvolvimento do país”, declarou Silveira.
A iniciativa se enquadra na agenda de descarbonização prevista pela Lei Combustível do Futuro, que incentiva a produção e o uso de combustíveis sustentáveis no Brasil. O ministro destacou, ainda,que uma mistura maior de etanol na gasolina também reduz a exposição do país às oscilações de preço causadas por conflitos internacionais.
Aumento de etanol na gasolina é tecnicamente viável e já testado
Uma das preocupações recorrentes em discussões sobre o aumento da mistura é o impacto nos motores dos veículos. O presidente da Unica garantiu a viabilidade técnica da mudança, lembrando que a transição para 30% de mistura, realizada em junho do ano passado, já serviu como teste bem-sucedido para a adoção do E32.
O presidente da Bioenergia Brasil, Mário Campos, destacou que as políticas públicas dos últimos anos impulsionaram a produção do setor e que, para 2026, a expectativa é de um acréscimo de mais de 4 bilhões de litros de etanol na produção nacional. Para ele, o momento é favorável ao consumidor que possui veículo flex. “É uma oportunidade para o Brasil descarbonizar ainda mais a matriz de transporte, e para o consumidor é um excelente momento de optar por etanol, que está mais barato do que a gasolina em diversas regiões”, afirmou Campos.
