Mais etanol na gasolina preocupa montadoras e mecânicos

17/07/2026

Foto: Divulgação | Volkswagen

Fonte: Itatiaia

O aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32% voltou a colocar governo, setor de biocombustíveis e indústria automotiva em lados opostos. Após a aprovação da medida pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), montadoras representadas pela Associação Nacional das Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e Associação Nacional da Importadoras de Veículos (Abeifa) questionam os estudos técnicos que embasaram a decisão e defendem a realização de novos testes antes da adoção definitiva da chamada gasolina E32.

A mudança foi aprovada inicialmente por um período de 180 dias, com possibilidade de prorrogação pelo mesmo prazo. Segundo o governo federal, a nova composição deverá reduzir em cerca de 900 milhões de litros por ano a necessidade de importação de gasolina, além de estimular uma demanda adicional próxima de 1 bilhão de litros de etanol.

As fabricantes, porém, afirmam que ainda não existem estudos conclusivos sobre a compatibilidade da mistura E32 com toda a frota brasileira. O principal questionamento está relacionado à ausência de testes específicos de durabilidade para veículos abastecidos com a nova composição, especialmente diante da rapidez com que a mudança foi aprovada.

Entre as maiores preocupações da indústria estão os carros antigos, veículos importados e motocicletas, que foram desenvolvidos para operar com percentuais menores de etanol na gasolina. Segundo as entidades, esses modelos podem apresentar problemas decorrentes da nova mistura. Além disso, as montadoras alertam que o aumento do teor de etanol pode influenciar o consumo de combustível e reduzir a autonomia dos veículos.

“A Anfavea reafirma o apoio aos biocombustíveis como uma importante vantagem competitiva do Brasil para a descarbonização da mobilidade. No entanto, é contrária à elevação da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para 32% sem estudos técnicos específicos e conclusivos que comprovem a segurança e a compatibilidade com a frota brasileira”, informou a entidade que representa as montadoras.

A Abeifa também argumenta que suas associadas precisarão trabalhar em conjunto com suas matrizes para adaptar motores e calibrações à gasolina E32. Por isso, a entidade se posiciona contra a adoção imediata da medida e defende um período maior de transição para adequação dos veículos.

Gasolina com mais etanol vai dar problema nos carros?

Segundo o mecânico Paulo Vianna, dono de uma oficina em Indaiatuba-SP, os carros nacionais com motores flex não serão prejudicados com a mudança, mas os modelos mais antigos e importados movidos somente a gasolina poderão sofrer problemas mecânicos com o aumento do teor de etanol no combustível derivado de petróleo.

“Os veículos flex são desenvolvidos e fabricados para rodarem com etanol puro ou misturado à gasolina. O máximo que pode acontecer com eles é um aumento no consumo. Já os carros nacionais e importados movidos somente a gasolina poderão apresentar problemas, como a corrosão prematura de peças que não passam por tratamento para suportar a ação do etanol”.

O especialista acrescenta que os carros antigos necessitam de ajustes nos carburadores e no sistema de ignição. “Também indico o uso de gasolina aditivada, que possui uma concentração menor de etanol e conta com aditivos que ajudam a prevenir a corrosão interna”, diz Vianna.

No caso dos carros importados, que são desenvolvidos para mercados onde a gasolina possui, no máximo, 10% de etanol, o mecânico indica antecipar a manutenção preventiva. “O carro vai funcionar com a nossa gasolina, mas recomendo o proprietário levar o seu veículo a uma oficina de confiança para verificar se há algum tipo de corrosão ou outro problema. Ele [dono do carro] vai perceber a necessidade de fazer a manutenção quando notar alguma dificuldade na hora de dar a partida no motor, engasgos nas acelerações ou se a luz da injeção eletrônica se acender no painel”.

Modelos equipados com injeção direta podem sofrer mais com a gasolina com 32% de etanol, pois o derivado de cana-de-açúcar reduz a vida útil de componentes do sistema de alimentação, como a bomba de combustível. “Recebo na oficina carros com injeção direta que apresentam problemas causados pelo etanol, inclusive modelos flex que, teoricamente, deveriam suportar esse combustível”. Vianna aponta que “o teor mais elevado de água no etanol de procedência duvidosa certamente vai causar algum problema futuramente”.

O Clipping Minaspetro reproduz fielmente o que está na imprensa.

Os textos não refletem, necessariamente, a opinião institucional do Sindicato.

Notícias Relacionadas

|
17 julho
ICL afirma que das 163 distribuidoras com metas fixadas para 2025, 33 não as cumpriram
|
17 julho
Setor aponta falta de reciprocidade entre etanol e açúcar; governo brasileiro fala em motivação política.