Foto: Mike Segar/Reuters
Fonte: correiobraziliense
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (22/9), durante a 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, que os conflitos internacionais estão provocando aumento nos preços dos combustíveis, fertilizantes e alimentos. Ao abordar as guerras e as tensões no Oriente Médio e na Europa, o presidente destacou os efeitos econômicos dos confrontos sobre famílias de diferentes países.
“Famílias em todo o mundo pagam pelo aumento dos preços de combustíveis, fertilizantes e alimentos”, afirmou Lula.
A declaração ocorreu em meio à avaliação do presidente sobre o agravamento das tensões internacionais. Segundo Lula, o Estreito de Ormuz, importante passagem para o comércio internacional, transformou-se em uma “trincheira da guerra”, quando deveria permanecer como uma rota vital para a circulação de mercadorias.
Para o líder brasileiro, os conflitos não ficam restritos aos territórios onde ocorrem e acabam produzindo consequências para a população mundial, entre elas a pressão sobre os preços dos combustíveis e de outros produtos.
Lula também mencionou a guerra entre Rússia e Ucrânia, que, segundo ele, se arrasta há cinco anos e continua provocando mortes e sofrimento humanitário. Na avaliação apresentada por ele, o prolongamento do conflito não produzirá vencedores no campo de batalha. “Todos sabemos que não haverá vencedores no campo de batalha. A diplomacia é a única opção”, declarou.
A defesa da negociação diplomática foi apresentada por Lula como alternativa diante da continuidade dos conflitos. Ele afirmou que existem iniciativas e forças na comunidade internacional dispostas a trabalhar pela busca de soluções.
Ao tratar do conflito no Oriente Médio, o petista afirmou que a continuidade da guerra torna cada vez menos viável a solução de dois Estados, que considera essencial para que israelenses e palestinos possam viver em paz.
O presidente também criticou ameaças relacionadas à existência de países e afirmou que ameaçar civilizações de extinção não levará à estabilidade da região.
A questão do Oriente Médio foi apresentada por Lula dentro de um contexto mais amplo de instabilidade internacional, no qual conflitos militares acabam afetando também o comércio e os preços pagos pela população.
Em outro trecho da declaração, direcionou a fala à relação da América Latina e do Caribe com os Estados Unidos. Segundo o chefe do Executivo, a proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo é inevitável, especialmente diante do que classificou como recrudescimento de “tentações hegemônicas”. Ao defender a posição brasileira no cenário internacional, Lula afirmou: “O Brasil não cabe no quintal de ninguém.”