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PCC utilizava metanol para adulterar gasolina nos postos; entenda como funcionava esquema

29/08/2025

 

Investigações detectaram concentração de substância tóxica até dez vezes maior do que o permitido

A megaoperação Carbono Oculto, deflagrada nesta quinta-feira (28/8), mira um esquema bilionário do Primeiro Comando da Capital (PCC) que se estende desde instituições financeiras até postos de combustível. As investigações da Polícia e da Receita Federal identificaram 1.000 postos em dez estados, inclusive Minas Gerais, usados para uma série de delitos, como lavagem de dinheiro e adulteração de gasolina com uma substância altamente tóxica, o metanol.

Os investigadores descobriram que os criminosos importavam a substância como solvente, submetido a menos impostos do que os combustíveis, para depois misturá-lo clandestinamente à gasolina. O metanol é um álcool, como o etanol, mas muito mais tóxico. Sua grande ameaça não é ao desempenho do motor, que também pode ser afetado, mas à saúde de trabalhadores e motoristas, sublinha o chefe do núcleo mineiro da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Eder Oliveira. “Ele pode cegar e até matar. E o carro não foi feito para funcionar com metanol”.

Em julho deste ano, uma operação da ANP flagrou postos no Sul Minas com teor de metanol acima do permitido nas bombas. Oliveira afirma que não há provas de ligação dos estabelecimentos com o crime organizado, mas não descarta a ligação. “Existe a possibilidade”, reconhece.

O engenheiro mecânico e professor do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia de Minas Gerais (Ibape-MG) Sérgio Melo também reforça a periculosidade da substância. “Ela apresenta um risco maior do que o etanol no manuseio. Lembrando que a gasolina já é um perigo muito grande. Quando se acrescenta metanol, é uma aditivação mais preocupante”, reforça.

O Minaspetro divulga notícias de outros veículos como mera prestação de serviço. Esses conteúdos não refletem necessariamente o posicionamento do Sindicato.
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