Com um crescimento da oferta global de petróleo previsto para 2,5 milhões de barris/dia em 2026 e uma expectativa de expansão da demanda em 930 mil barris/dia, a Agência Internacional de Energia (IEA) manteve a expectativa de uma sobreoferta no mercado este ano.
A desaceleração do consumo de gasolina é um dos motivos que ajuda a manter a demanda pressionada, segundo o Oil Market Report da agência, divulgado na terça (21).
- A demanda da indústria petroquímica tem previsão de crescimento, mas essa expansão não será suficiente para compensar a queda da gasolina.
Do lado da oferta, a IEA destaca que o excedente global é sustentado pelo forte crescimento da produção desde o início de 2025, sobretudo em países de fora da Opep, que responderam por 60% da expansão no ano passado.
- Em 2025, Brasil, Canadá, Estados Unidos, Guiana e Argentina dominaram o aumento da extração.
- No Brasil, a Petrobras divulgou na semana passada que superou a meta estabelecida para 2025, com uma produção média de 2,4 milhões de barris/dia no ano.
Para ficar de olho: a agência destaca uma forte recuperação da produção na Rússia em dezembro, apesar de o país ainda estar negociando petróleo e derivados com descontos no mercado internacional devido às sanções pela invasão à Ucrânia.
As recentes turbulências geopolíticas na Venezuela e no Irã acrescentam incertezas quanto à capacidade desses países de manterem exportações no futuro.
- Entretanto, a IEA destaca que os dois países já vinham tendo dificuldades em manter os níveis das exportações nos últimos meses.
- As vendas do petróleo iraniano no mercado internacional caíram 350 mil barris/dia de outubro para dezembro, finalizando o ano em 1,6 milhão de barris/dia. O país também está sujeito a sanções internacionais.
- Já a exportação da Venezuela caiu de 800 mil barris/dia em dezembro para 300 mil barris/dia em janeiro, devido ao bloqueio da costa pelos Estados Unidos.
Mesmo com as projeções de sobreoferta, o preço do barril subiu na quarta (21/1), em meio à elevada tensão entre EUA e Europa a respeito da Groenlândia.
- O Brent para março fechou em alta de 0,49% (US$ 0,32), a US$ 65,24 o barril.
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