Petróleo cai 8% e dá tração a ativos de risco

28/07/2026

Fonte: Valor econômico

Os primeiros sinais mais concretos de retomada das negociações diplomáticas entre Estados Unidos e Irã após a trégua das agressões entre os países provocou um amplo alívio nos mercados globais e domésticos nesta segunda-feira.

O petróleo voltou a operar abaixo de US$ 90 por barril, o que beneficiou os mercados de juros e câmbio, mas pesou sobre o real, que vinha se beneficiando de um petróleo mais caro.

O contrato do petróleo do tipo Brent (referência internacional) com entrega prevista para setembro despencou e terminou a sessão cotado a US$ 88,36 por barril, com baixa de 8,70%; já o barril do WTI (referência americana) para o mesmo mês cedeu 7,50%, a US$ 82,61.

Acompanhando o petróleo, os juros futuros fecharam em forte baixa e a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2028 cedeu de 14,165% a 14,015%, ao passo em que a do DI de janeiro de 2031 teve queda mais contida, de 14,63% a 14,545%. Nos Estados Unidos, a taxa da T-note de dez anos, referência do mercado de dívida pública americana, encerrou a sessão em baixa, de 4,687% a 4,658%.

Já o Ibovespa terminou o dia em alta de 0,74%, a 175.334 pontos, apesar da queda de quase 3% das ações da Petrobras. Em Nova York, o índice S&P 500 fechou praticamente estável, em alta de 0,02%, a 7.413,18 pontos.

Durante o fim de semana, EUA e Irã pausaram os ataques no Oriente Médio, o que se manteve na segunda-feira, abrindo caminho para o bom desempenho dos mercados. O presidente americano, Donald Trump, chegou a afirmar que Washington mantém conversas “muito amigáveis” com Teerã, ainda que também tenha cobrado um avanço rápido das negociações.

Para os estrategistas do UBS Global Wealth Management, o risco de uma nova escalada de tensões no Oriente Médio permanece elevado, mas que, provavelmente, a pressão econômica sobre os EUA e o Irã deve acabar fazendo com que ambos os lados prefiram buscar uma resolução para o conflito. “Uma interrupção prolongada no fornecimento de energia aumentaria a pressão sobre o orçamento das famílias americanas justamente em um momento em que o custo de vida é uma preocupação importante. Ao mesmo tempo, uma redução significativa das receitas do petróleo dificultaria a capacidade do governo iraniano de fornecer bens essenciais à população”, afirmam em nota.

No caso da renda fixa, o tombo da commodity energética apoia uma perspectiva de inflação e política monetária mais brandas. Com isso, a queda dos juros futuros de curto e médio prazo superou o recuo observado nas taxas de longo prazo, provocando uma inclinação da estrutura a termo da curva local.

Segundo um operador de renda fixa de uma importante instituição financeira, a aposta na inclinação da curva de juros brasileira tem sido frequente entre investidores estrangeiros. “Essa se tornou a operação favorita dos estrangeiros: aplicar [apostar na queda das taxas] no DI de janeiro de 2028 e tomar [apostar na alta] o DI de janeiro de 2031. Na verdade, o movimento recente de inclinação da curva foi quase inteiramente direcionado pelos estrangeiros”, diz ele, em condição de anonimato.

Em termos de perspectiva para a política monetária, o alívio de ontem se traduz na expectativa por juros mais baixos no curto prazo. No mercado de opções digitais, os investidores passaram a precificar uma chance de 86% para que o Comitê de Política Monetária (Copom) reduza a Selic de 14,25% para 14,00% na sua próxima decisão, em 5 de agosto. Já a probabilidade de que a taxa básica permaneça no atual patamar somou apenas 14%.

Se o tombo do petróleo beneficiou a tomada de risco nos mercados acionário e de renda fixa, nem mesmo o alívio do prêmio de risco geopolítico impediu a alta do dólar ontem. A moeda americana encerrou o pregão no mercado à vista em alta de 0,60%, a R$ 5,1116.

O fortalecimento do dólar foi mais intenso contra moedas que já haviam apreciado no fim da semana passada, como o real. No entanto, o câmbio doméstico também sofreu por conta da queda do petróleo, uma vez que o encarecimento da commodity é visto como positivo para o real por conta dos termos de troca mais robustos.

Vale lembrar ainda que o viés de alta da moeda americana ocorre às vésperas da próxima decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). O comitê da autoridade monetária se reúne amanhã, e o mercado embute no preço chances razoáveis de que ocorra uma alta dos juros americanos, segundo nota o gestor de portfólio Eduardo Aun, da AZ Quest.

O Clipping Minaspetro reproduz fielmente o que está na imprensa.

Os textos não refletem, necessariamente, a opinião institucional do Sindicato.

Notícias Relacionadas

|
28 julho
Ibovespa e juros são beneficiados por alívio na tensão geopolítica; real vai na contramão
|
28 julho
Digitalização da ANP é vista como fundamental para a fiscalização online e em tempo real dos 120 mil pontos de combustíveis espalhados pelo país