Os preços do petróleo registraram alta nesse domingo (29), em meio à escalada das tensões no Oriente Médio após Teerã alertar para uma possível invasão terrestre por parte dos Estados Unidos. O barril do petróleo Brent, referência internacional, subiu 1,7% e passou a ser negociado a cerca de US$ 107. Já o petróleo bruto americano avançou 2%, alcançando US$ 101.
O movimento ocorre após o presidente do Parlamento iraniano afirmar que as forças do país estão “aguardando” tropas americanas. A declaração foi feita depois de o ex-presidente Donald Trump indicar, na sexta-feira (27), que as negociações com o Irã seguem em andamento e anunciar a extensão do prazo de um ultimato para a reabertura do Estreito de Ormuz.
A instabilidade na região também é agravada pela atuação dos rebeldes houthis, do Iêmen, apoiados pelo Irã. O grupo realizou ataques contra Israel no sábado (28) e representa uma nova ameaça às rotas de exportação de petróleo. Há risco de bloqueio do Estreito de Bab el-Mandeb, passagem estratégica que conecta o Mar Vermelho às principais rotas marítimas globais.
Diante do cenário, ministros das Relações Exteriores de Paquistão, Arábia Saudita, Egito e Turquia intensificaram esforços diplomáticos para tentar encerrar o conflito. Segundo o chanceler paquistanês, Ishaq Dar, a reunião realizada neste domingo foi “muito produtiva”, e o país deve atuar como mediador em negociações entre Estados Unidos e Irã nos próximos dias.
A guerra já provoca impactos significativos no mercado global de energia. O fechamento do Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial, resultou na maior interrupção de oferta da história recente, além de ataques a instalações de petróleo e gás, o que pressiona os preços dos combustíveis.
Nos Estados Unidos, os efeitos já são sentidos pelos consumidores. O preço médio do galão de gasolina chegou a US$ 3,98 neste domingo. Especialistas alertam que países menores, especialmente na Ásia, tendem a ser os mais afetados pela alta do petróleo, embora o impacto se estenda por toda a economia global. Para Bob McNally, presidente da Rapidan Energy, um eventual cenário de recessão poderia conter a escalada dos preços.
“Quando se prejudica o crescimento econômico, essa é uma forma brutal, porém eficaz, de reduzir a demanda por petróleo e, consequentemente, limitar os preços”, afirmou à CNN. A expectativa é que os preços do gás natural demorem a recuar mesmo após o fim do conflito. A normalização dependerá da reabertura do Estreito de Ormuz e da recuperação de infraestruturas estratégicas atingidas, como a instalação de Ras Laffan, no Catar, considerada a maior unidade de produção de gás do mundo.
O clima de incerteza também afetou os mercados financeiros. Os futuros de ações operaram em queda neste domingo, com o Dow Jones recuando 0,53% (241 pontos), o S&P 500 caindo 0,46% e o Nasdaq registrando baixa de 0,48%.
