PF desmonta fraude da “bomba baixa” e gasolina adulterada em 50 postos

26/01/2026

Fonte: Fecombustiveis

A Polícia Federal (PF) concluiu as investigações sobre um esquema sistemático de fraudes contra consumidores em dezenas de postos de combustíveis de Curitiba (PR) e da região metropolitana.

O inquérito é um desdobramento da Operação Tank e teve como foco a comprovação das irregularidades e a identificação dos responsáveis por uma rede de postos controlada por uma organização criminosa.

Perícias realizadas em 50 estabelecimentos confirmaram a existência de duas modalidades principais de fraude utilizadas pelo grupo para lesar consumidores.

A apuração também identificou ligação direta do esquema com o crime organizado e com práticas de lavagem de dinheiro.

Segundo a PF, as fraudes nos postos funcionavam como a principal fonte de recursos para um sistema financeiro paralelo que movimentou bilhões de reais.

O dinheiro obtido era ocultado por meio de empresas de fachada e do uso de “laranjas”, com o objetivo de dissimular a origem ilícita dos valores.

“Bomba baixa”

A primeira é a chamada fraude metrológica, conhecida como “bomba baixa”. De acordo com a PF, os postos utilizavam o chamado “Sistema Flex”, um dispositivo eletrônico que permitia a manipulação remota das bombas por meio de um aplicativo de celular.

Os testes apontaram que os equipamentos forneciam volumes inferiores aos registrados no visor, com diferenças que chegaram a 8,3% a menos do que o indicado — índice muito acima do limite permitido pela legislação.

A segunda irregularidade identificada foi a adulteração de combustível. Análises laboratoriais revelaram que a gasolina comum comercializada em alguns postos continha até 79% de etanol, desrespeitando o limite legal de 27%, com variação máxima de 1%. Segundo a Polícia Federal, além de configurar crime, a prática pode causar danos mecânicos aos veículos e elevava de forma artificial os lucros da organização.

Ao fim da investigação, oito pessoas foram indiciadas. Elas são apontadas como integrantes do núcleo de comando e gestão da rede de postos, descrito pelos investigadores como a “diretoria” do esquema criminoso.

Os suspeitos responderão por crimes contra a ordem econômica, pela aquisição e revenda de combustíveis em desacordo com as normas legais, com indícios de prática reiterada em pelo menos 21 ocasiões.

Autor/Veículo: Metrópoles

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