Fonte: Aprix Journal
A Black Friday é um dos eventos de vendas com desconto mais difundido e com maior desconto, e os consumidores a adotaram totalmente em muitos países — inclusive os brasileiros. O que começou como uma venda limitada em setores tecnológicos específicos (em parte graças à sua gêmea Cyber Monday) tornou-se uma data chave no calendário promocional de todos os negócios de e-commerce.
Hoje, o cenário que se verifica é uma data que não se limita ao online, e nem à data em si, já que diversos canais de venda realizam promoções ao longo da semana ou do mês todo. Com isso, os clientes já adquiriram o hábito de monitorar os preços.
É o que avalia o analista de pricing na farmacêutica 4Bio, Jefferson Luiz. “Hoje temos a Black de farmácias, por exemplo, com foco principalmente em itens de perfumaria e dermocosméticos. A moda da Black está cada vez mais presente em diversos setores, até mesmo fora do varejo”. No setor de serviços, por exemplo, profissionais de design e marketing podem impulsionar o trabalho que oferecem, consultorias podem oferecer descontos em seus serviços, alcançando mais clientes e, assim, construir uma relação para os próximos meses.
Olhar para o cliente na inteligência estratégica
Na hora de estruturar as promoções, a monitoria de concorrência precisa ser constante. Com as ferramentas adequadas, analisar o mercado, os custo e os benefícios fiscais podem gerar bons resultados promocionais. No entanto, é fundamental estabelecer níveis mínimos para garantir a rentabilidade da venda. “Em um momento como a Black Friday, onde temos clientes ‘sedentos’ por promoções, o setor de pricing precisa estar atento ao mercado e suas mudanças. Uma boa promoção precisa atender as expectativas dos clientes e gerar uma margem saudável para a empresa”, declara o analista.
Com a recorrência da data, quem consome está mais atento aos truques, muitas vezes antiéticos, aplicados na busca pelo aumento das margens. “Durante os primeiros anos da Black Friday no Brasil, o famoso “metade do dobro” se tornou moda. As empresas precisam ter cuidado com promoções de forma antecipada e falsa campanha durante a sexta-feira. Afinal, ninguém quer viralizar de forma negativa”, atenta Jefferson.
Precificação dinâmica e black friday
A fim de definir a estratégia mais proveitosa nessa época do ano, em que milhares de produtos competem pela atenção do público consumidor, o pricing deve se adaptar à demanda mantendo dois objetivos: maximizar as vendas e o lucro. Nesse sentido, a utilização de algoritmos de Inteligência Artificial e machine learning pode auxiliar os profissionais a tomar decisões melhores.
De acordo com o especialista em pricing Pedro Piccoli Soares, com o auxílio dessas tecnologias permite resolver problemas de maneira mais efetiva. “Uma vez que as decisões racionais de precificação são baseadas em dados, a utilização de tecnologias de Inteligência Artificial permite que as empresas analisem diversos dados que antes eram ignorados, devido à alta complexidade de monitoramento e processamento”, argumenta.
De acordo com o Boston Consulting Group, essa automatização das decisões de preços em sistemas de Revenue Management através de inteligência artificial pode levar a um aumento total da receita de 5% em até nove meses. Além disso, segundo um estudo da IBM, modelos de AI-Based Pricing podem gerar importantes reduções no tempo necessário para definição de novos preços, e o time to market de novos projetos pode ser condensado de meses para semanas.