Raízen contrata assessor para reestruturar a dívida

10/02/2026

Fonte: pipelinevalor

Diante de um impasse entre os acionistas sobre a sua capitalização, a Raízen está em tratativas com o Rothschild para assessorá-la na reestruturação da dívida, que somava R$ 68,6 bilhões em setembro, apurou o PipelineCosan e Shell vêm discutindo há meses o futuro da joint venture.

A Raízen já tinha contratado a Alvarez& Marsal, que atuou recentemente na recuperação judicial da Americanas, para ajudar na reestruturação da empresa segundo informação da Bloomberg confirmada pelo Pipeline. A Shell já trabalha com o Lazard para avaliação da capitalização, mandato que pode se ampliar para a dívida. A Cosan contratou o escritório E. Munhoz , especializado na reestruturação de dívida, que atuou em casos como Odebrecht e Intercement, para avaliar os cenários possíveis para a companhia. A Raízen já trabalha com o Pinheiro Neto para vários mandatos.

Nesta segunda-feira, as agências de classificação de risco S&P e Fitch cortaram o rating da Raízen, que perdeu o grau de investimento. A Moody’s já tinha rebaixado a nota da crédito da Raízen para grau especulativo em novembro. A S&P cortou a nota de rédito Raízen em sete níveis, de ‘BBB—’ para ‘CCC+’, enquanto a Fitch rebaixou de ‘BBB-‘ para ‘B’. Ambas agências mantiveram a perspectiva negativa para possíveis novos rebaixamentos. Para a S&P, o engajamento de consultores financeiros indica a alta probabilidade de reestruturação, o que a agência considera como default.

A empresa estava negociando uma capitalização com seus acionistas, dada a alavancagem financeira alta, de 5,1 vezes a relação dívida líquida/Ebitda em setembro. Diante da demora em se chegar a um acordo, os sócios começaram a avaliar um cenário alternativo para reestruturar a dívida da companhia, incluindo os bonds emitidos no exterior, que somavam cerca de R$ 30 bilhões em setembro.

Por enquanto, a companhia não definiu se isso se encaminharia para uma reestruturação extrajudicial ou judicial, mas isso não está completamente descartado. “Por enquanto, está bem longe desse cenário”, disse uma fonte próxima ao assunto.

A apreensão dos credores sobre uma reestruturação da dívida aumentou após a Cosan anunciar a recompra dos bonds com vencimento para 2030 e 2031. Apesar de já ter sinalizado que os recursos levantados no aumento de capital – realizado no ano passado com a entrada do BTG e da Perfin na Cosan – seriam usados para reduzir o endividamento da holding, e fontes de mercado interpretaram esse movimento como uma possibilidade de a Cosan estar se preparando para uma reestruturação da Raízen e eliminando a possibilidade de um cross-default impactar a holding.

A Raízen tinha, em setembro, R$ 18,6 bilhões de caixa, suficiente para cobrir as dívidas que vencem em 2027 e 2028. A companhia ainda contratou, em novembro, uma linha de crédito rotativo (Revolving Credit Facility), no montante de US$ 1 bilhão com vencimento em cinco anos.

O problema é que a companhia não tem gerado caixa suficiente para pagar as despesas da dívida. Na avaliação de uma fonte próxima ao assunto, a Raízen precisa reduzir a alavancagem para um nível abaixo de 3 vezes para ter uma estrutura de capital sustentável. Com uma dívida líquida de R$ 53,4 bilhões e um Ebitda ajustado de cerca de R$ 11 bilhões em 12 meses até setembro, a companhia precisa de uma redução de cerca de R$ 20 bilhões da dívida.

Para a S&P, a companhia deve continuar arcando com um custo com juros na ordem de R$ 9,5 bilhões ao ano, o que, com a queima de caixa, deve elevar a alavancagem para 6 vezes em 2026/27.

Parte dos recursos para reduzir a dívida deve vir da venda de ativos e outra parte, da capitalização. A companhia está em negociação para a venda da operação na Argentina, que pode adicionar mais R$ 10 bilhões ao caixa, e vê espaço para de desfazer de mais usinas, apurou o Pipeline. Com isso, precisa de um aporte entre US$ 1,5 bilhão e US$ 1,9 bilhão.

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