A Raízen, controlada pela Cosan e pela Shell, convocou uma assembleia geral extraordinária para o dia 30 de outubro para votar mudanças profundas em sua estrutura de capital e governança.
O que aconteceu
Acionistas da Raízen vão decidir sobre o aumento do limite do capital autorizado para até 200 bilhões de ações. A votação digital de 30 de outubro viabilizará o aumento de capital do plano de recuperação extrajudicial.
Assembleia também vai votar a destituição de todos os atuais conselheiros e a eleição de um novo colegiado. O novo conselho de administração terá sete membros titulares e sete suplentes, com posse condicionada à homologação da Capitalização RSA (aumento de capital da empresa).
Plano propõe a criação de uma nova classe de ações preferenciais e um programa de units. As novas ações Classe B terão direito de voto restrito, enquanto as atuais viram Classe A e comporão as units (pacotes de ações ordinárias e preferenciais).
Redução de até R$ 35 bilhões no capital social da empresa está em pauta. A operação ocorrerá pela entrega de valores mobiliários da Raízen Energia S.A. aos acionistas e exige a listagem da subsidiária na B3.
Plano de recuperação
Mudanças propostas fazem parte do plano de recuperação extrajudicial homologado pela Justiça. A ampla reforma estatutária altera regras de governança, o funcionamento do conselho e da diretoria e as ofertas de aquisição de ações.
O plano de remuneração em ações da companhia também passará por ajustes na reunião. O programa passará a abranger até 1% do total de ações emitidas após a capitalização prevista na reestruturação.
Os acionistas interessados em votar a distância devem enviar os boletins de voto até 26 de outubro. A assembleia digital está marcada para as 11h do dia 30 de outubro.
Em julho último, a 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo aprovou plano da Raízen. A decisão torna a reestruturação das dívidas financeiras de R$ 61,4 bilhões obrigatória para todos os credores da categoria.
Proposta teve ampla aprovação e nenhum questionamento na Justiça. Ao todo, 81,6% dos credores financeiros sem garantia aderiram ao plano, que não recebeu contestação.
Empresa busca equilibrar caixa no curto prazo. Com a homologação, a Raízen tenta garantir uma estrutura financeira sustentável no longo prazo em acordo consensual com os credores.