Venda da usina Caarapó é insuficiente para reduzir dívida da Raízen, diz Citi

21/07/2026

Fonte: Monitoring

A venda da usina Caarapó para a Adecoagro representa um novo passo no processo de simplificação do portfólio de ativos da Raízen, mas é insuficiente para reduzir a elevada alavancagem da companhia. A avaliação é dos analistas do Citi, Gabriel Barra e Pedro Gama.

Consideramos positiva a entrada de recurso em caixa com a venda. Acreditamos que a Raízen está reduzindo a complexidade de seus negócios e otimizando seu portfólio. Mas, a operação é insuficiente para ajudar a empresa a reduzir sua alavancagem e ajustar sua estrutura de capital, afirmaram os analistas em relatório.

A Adecoagro anunciou na manhã desta segunda-feira (20/7) a compra da unidade da Raízen em Mato Grosso do Sul por R$ 760 milhões. O valor inclui os ativos da usina e os contratos de fornecimento de cana-de-açúcar. Após a venda, a Raízen vai operar com 23 usinas, com capacidade instalada para moagem de 69 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra.

A usina está localizada a aproximadamente 100 quilômetros de distância das unidades Angélica e Ivinhema da Adecoagro, e processou em torno de 3,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar durante a safra 2025/26.

Com o acordo, a Adecoagro aumenta a sua capacidade de processamento de cana em 24%, para 17,7 milhões de toneladas por safra.

Para os analistas do Citi, o negócio é uma boa oportunidade para a Adecoagro ampliar a capacidade de processamento de cana-de-açúcar em áreas próximas às suas usinas atuais, a um valor atrativo, de cerca de US$ 42 por tonelada de cana-de-açúcar, ficando abaixo do valor médio de transações recentes do setor.

No entanto, observamos que os fundamentos de oferta e demanda apresentam tendências fracas, dado o aumento da produção doméstica de etanol. Por outro lado, os preços do açúcar podem sofrer pressão de alta, devido à provável ocorrência do fenômeno El Niño, com impacto esperado na produção global, afirmaram os analistas em relatório.

Outro ponto de atenção é o risco de desaceleração no crescimento da demanda por açúcar, por causa do uso de medicamentos para perda de peso.

Na sexta-feira (17/7), a Raízen informou que a B3 prorrogou o prazo para a companhia apresentar um plano de reenquadramento das suas ações preferenciais. A companhia terá até 31 de março de 2027 para apresentar um plano e ações que deve adotar para que as ações voltem a ser negociadas acima de R$ 1. O regulamento de listagem da B3 estabelece que as companhias com ações negociadas abaixo de R$ 1 por um período prolongado devem fazer um reenquadramento das ações.

Em junho, a Raízen anunciou um plano amplo de reestruturação extrajudicial, após registrar altos prejuízos e endividamento.

A companhia encerrou o quarto trimestre da safra 2025/26 com prejuízo líquido de R$ 7,3 bilhões, ante prejuízo de R$ 2,5 bilhões um ano antes. O resultado foi prejudicado por uma perda de R$ 22,5 bilhões por redução ao valor recuperável de ativos (impairments). A dívida líquida atingiu R$ 58,2 bilhões, aumento de 69,9% na comparação anual. A alavancagem (relação entre dívida líquida e lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, o Ebitda), chegou a 5,2 vezes.

Mais Sobre Raízen

Raízen vende Usina Caarapó para a Adecoagro por R$ 760 milhões

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