Vibra rompe contrato com distribuidora de combustíveis por elo com PCC

13/02/2026

Fonte: poder360

Rede Sol disse que o rompimento é uma “prática anticompetitiva” da Vibra; rescisão unilateral se dá após a operação Carbono Oculto, que apura um esquema do PCC no setor de combustíveis

Vibra, ex-BR Distribuidora, disse que rompeu unilateralmente o contrato com a Rede Sol, distribuidora de combustíveis, porque a empresa teria “associação” com o PCC (Primeiro Comando da Capital). Em resposta enviada ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) na 2ª feira (9.fev.2026), afirmou que o rompimento se deu “de forma válida e legítima”. O conselho investiga o fim da relação entre as companhias.

O rompimento do contrato de armazenagem de gasolina de aviação em Cubatão (SP) se deu em 5 de setembro de 2025, depois da operação Carbono Oculto. A Rede Sol considerou a decisão “prática anticompetitiva” e questionou o Cade. Segundo a distribuidora, a Vibra é “a única empresa que dispõe de tancagem” desse tipo de combustível, uma “infraestrutura estratégica para o abastecimento aeronáutico nacional”.

Em documento enviado ao Cade, a Vibra disse que “a resilição unilateral do contrato de armazenagem com a Rede Sol ocorreu de forma válida e legítima, principalmente devido a 2 fatores: contexto reputacional grave diante da associação da Rede Sol e de seus sócios ao PCC (Primeiro Comando da Capital), no bojo da operação policial ‘Carbono Oculto’; e cláusulas do contrato que permitem a resilição unilateral e imotivada por qualquer das partes”. Leia a íntegra (PDF – 955 kB).

Segundo a empresa, “por mais que a responsabilização administrativa e criminal por tais fatos ainda esteja sendo apurada pelas autoridades competentes, não se podem desprezar os riscos comerciais e reputacionais associados à manutenção da relação contratual com a Rede Sol”.

“Tais riscos envolvem prejuízos reputacionais elevados e, a rigor, irreversíveis, além de potenciais impactos em toda a cadeia de fornecimento e consumo, dadas as repercussões da associação da marca Vibra aos atos ilícitos que as autoridades afirmam terem sido praticados pela Rede Sol”, declarou a Vibra. 

operação Carbono Oculto foi deflagrada em agosto de 2025 para desarticular um esquema do PCC no setor de combustíveis, com ramificações em empresas do setor financeiro. Autoridades falam em sonegação de mais de R$ 7,6 bilhões em impostos federais, estaduais e municipais. Foram identificadas irregularidades em diversas etapas do processo de produção e distribuição.

OUTRO LADO

Poder360 procurou a Rede Sol para perguntar se gostaria de se manifestar sobre a resposta dada pela Vibra ao Cade. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.

Em nota, colocada permanentemente em seu site, a Rede Sol afirma que “reafirma seu compromisso com a conformidade legal, a ética corporativa e a integridade em todas as suas operações”

Leia a íntegra da nota:

“A Rede Sol Fuel Distribuidora S.A. é uma companhia de grande porte, com mais de 26 anos de história e aproximadamente 200 colaboradores diretos. Nossa presença está consolidada em todo o território nacional por meio de filiais estratégicas em diversos Estados, sendo a idoneidade e o rigoroso cumprimento das normas legais e regulatórias uma marca da nossa atuação.

“Dessa forma, a Rede Sol reafirma seu compromisso com a conformidade legal, a ética corporativa e a integridade em todas as suas operações. Adotamos políticas rígidas de compliance e controles internos, alinhadas à Lei Anticorrupção, à Lei de Prevenção à Lavagem de Dinheiro e às diretrizes da ANP, bem como de demais órgãos reguladores.

“No que diz respeito à operação Carbono Oculto, deflagrada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo e pela Polícia Federal, a Rede Sol, primeiramente, reafirma seu compromisso e respeito às instituições de persecução penal. No mais, nos colocamos à disposição das investigações para colaborar com o que for necessário. É importante destacar que nossos advogados constituídos ainda não tiveram acesso aos autos da investigação, mas, desde já, repudiam qualquer ligação que vincule a companhia a qualquer fundo, empresa ou pessoas ligadas a eventuais atividades ilegais, restando nosso compromisso de que tudo será devidamente comprovado e esclarecido no tempo oportuno.”

O Clipping Minaspetro reproduz fielmente o que está na imprensa.
Os textos não refletem, necessariamente, a opinião institucional do Sindicato.

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