Gasolina da Petrobras está 9% acima da importada

23/01/2026

Fonte: Valor Econômico

A gasolina da Petrobras está entre 8% e 9% mais cara que o produto importado, segundo contas de especialistas ouvidos pelo Valor. O preço da estatal está acima do que o mercado chama de preço de paridade de importação (PPI) desde setembro de 2025, segundo cálculos da consultoria StoneX, e continuou assim mesmo depois de a petroleira realizar um corte de R$ 0,14 por litro em outubro.

Em 2025, a companhia realizou apenas duas reduções no preço da gasolina mesmo em um cenário de queda do petróleo. O Brent caiu 18,52% no ano passado, situando-se em US$ 60,49 em 31 de dezembro. No diesel, as projeções do mercado variam entre preços de cerca de 2% acima e de quase 7% abaixo do mercado internacional.

A decisão sobre a manutenção ou mudança nos preços dos combustíveis, na Petrobras, é de responsabilidade dos diretores de comercialização e financeiro, além da presidente da companhia. Mas cabe ao conselho de administração monitorar a política de preços. O tema deve ser apreciado pelos conselheiros na reunião do colegiado, em 28 de janeiro.

Especialistas do setor esperavam que a Petrobras cortasse o preço da gasolina em dezembro ou no começo de janeiro, o que não ocorreu. Fontes ouvidas pelo Valor atribuem a decisão às situações na Venezuela e no Irã, que trouxeram mais incertezas ao mercado de petróleo. Quanto maior o tempo que a companhia fica com o preço acima da paridade de importação maior é o risco de perda de fatia de mercado, uma vez que os importadores podem entrar vendendo mais barato aos postos.

Se, ao contrário, a Petrobras vende nas refinarias produto abaixo do preço de paridade, acaba por limitar ou inviabilizar importações de terceiros. A empresa costuma argumentar que trabalha com uma estratégia comercial de longo prazo, de modo a evitar volatilidades de curto prazo. Mas decisões sobre preços carregam, historicamente, um componente político, uma vez que a gasolina mexe no bolso dos consumidores e o diesel, na economia como um todo, já que o transporte de cargas no país se dá por caminhões.

Valor apurou que, nas contas da Petrobras, a gasolina também está acima da paridade, mas em percentuais diferentes dos indicados pelas consultorias. A empresa não divulga a fórmula dos preços.

A Stonex estima que a gasolina vendida pela Petrobras nas refinarias está 8,1%, ou R$ 0,21 por litro, acima do produto internacional. O Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), por sua vez, estima que a gasolina da estatal está 8,24%, R$ 0,20 por litro, mais cara do que a importada. Para a Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom), o sobrepreço é de 9%, ou R$ 0,24 por litro.

No diesel, os cálculos variam. A StoneX diz que o preço da Petrobras está R$ 0,05 acima do internacional, ou 1,8%. Em 2025, houve um aumento e três reduções. O movimento mais recente foi de redução de R$ 0,16 por litro, em maio. Já o CBIE calcula que o diesel da Petrobras está 6,9% mais barato que o importado, ou R$ 0,24. A Abicom também estima que a Petrobras pratica um preço 7% abaixo do que o mercado externo, ou R$ 0,21.

Petrobras também tem importado gasolina por estratégia comercial, o que permite que a companhia venda a preços mais baixos, acompanhando as cotações internacionais, dizem fontes. Nesta sexta-feira (23), há um leilão de gasolina agendado pela petroleira que vai oferecer 550 milhões de litros, o que representa cerca de um quarto da demanda mensal do país, segundo a Abicom. O preço estabelecido para os lances iniciais é mais baixo do que o de tabela da Petrobras, de acordo com a entidade.

A expectativa é que, com o leilão, a Petrobras possa medir a demanda das distribuidoras e calibrar um possível corte adiante, na visão de Thiago Vetter, analista da StoneX. “Começando o leilão com o preço abaixo do praticado, a Petrobras pode determinar qual preço ela consegue passar a praticar a partir de então. Provavelmente, teremos redução em fevereiro.”

Outro fator que influencia na decisão de preços é a perspectiva de cotação do petróleo. O Goldman Sachs estima que o Brent fique em média em US$ 56 por barril em 2026, abaixo dos US$ 64,06 do fechamento de quinta-feira (22).

Desde 2025, a Petrobras fala sobre a necessidade de adaptação da companhia ao petróleo mais barato. Em 28 de novembro, na divulgação do plano estratégico 2026-2030, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, reiterou o foco na disciplina de capital como resultado da queda do petróleo.

Em nota, a Petrobras disse que monitora diariamente os fundamentos do mercado internacional e possíveis desdobramentos para o mercado brasileiro. Dessa forma, afirmou, é possível ter períodos de estabilidade de preços para os clientes, evitando a prática de reajustes diários, para cima e para baixo. “Essa prática é importante em momentos de alta volatilidade, como o que vivemos agora.”

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