Os veículos elétricos são parte da solução para reduzir a dependência do petróleo, mas não resolvem sozinhos os impactos de crises no mercado global de energia. É o que mostra relatório da Agência Internacional de Energia (IEA), que reúne medidas imediatas e estruturais para reduzir o consumo de combustíveis e proteger consumidores e economias.
O estudo foi elaborado em meio à maior interrupção da oferta de petróleo da história recente, após a queda no fluxo pelo Estreito de Ormuz, responsável por cerca de 20% do consumo global. A crise elevou os preços e pressionou custos de transporte, logística e energia em diversos países.
Segundo a IEA, o transporte rodoviário concentra cerca de 45% da demanda global de petróleo, podendo chegar a dois terços em algumas regiões. Dentro desse cenário, carros de passeio são os principais responsáveis pelo consumo, o que explica por que o setor automotivo é central nas estratégias para reduzir a dependência de combustíveis fósseis, tanto no curto quanto no longo prazo.
Além da eletrificação, o relatório destaca que mudanças de comportamento e uso do carro podem reduzir rapidamente o consumo de combustível. Medidas como trabalho remoto podem diminuir em até 20% o consumo individual, enquanto a redução de velocidade em rodovias corta entre 5% e 10% do gasto por veículo.
O uso de transporte público também reduz a demanda por gasolina e diesel, assim como o compartilhamento de viagens, que aumenta a eficiência do uso dos carros. Já a chamada condução eficiente, ou eco driving, ajuda a evitar desperdícios. O estudo ainda cita alternativas como rodízio de veículos em grandes cidades e incentivo à mobilidade ativa, como bicicleta e caminhada.
No médio e longo prazo, a eletrificação do transporte aparece como um dos principais caminhos para reduzir a exposição aos choques do petróleo. Os veículos elétricos já representam mais de um em cada quatro carros vendidos no mundo, e a tendência é que a expansão da mobilidade elétrica reduza a dependência de combustíveis fósseis, desde que acompanhada por políticas públicas. O relatório também destaca o papel de híbridos e de veículos mais eficientes nesse processo.
A alta do petróleo, por sua vez, vai além do setor automotivo e afeta diretamente o custo de vida, ao pressionar preços de combustíveis, frete, logística e inflação. Segundo a IEA, reduzir o consumo de petróleo no transporte contribui para estabilizar custos e dar mais previsibilidade à economia.
Apesar das alternativas, o relatório ressalta que nenhuma medida isolada é suficiente para compensar uma grande interrupção na oferta. Mesmo com a adoção ampla das ações sugeridas, a normalização do mercado depende da retomada do fluxo global de energia.
A conclusão é que enfrentar choques no petróleo exige uma combinação de estratégias: no curto prazo, reduzir o consumo com mudanças de comportamento; no longo, acelerar a eletrificação e a eficiência energética. Nesse cenário, o carro elétrico deixa de ser apenas uma solução ambiental e passa a ter papel estratégico na segurança energética global, aponta a IEA.
