Apesar de os resultados finais do quadrimestre serem positivos, as vendas de veículos começam a dar sinais de desaquecimento. O primeiro a chamar a atenção é o segmento de caminhões, que registrou ligeira queda, de 0,4% no acumulado do ano. O dado não preocuparia não fossem as perspectivas pessimistas em relação ao que poderá acontecer a partir de nova alta da taxa básica de juros, fixada em 10,75% na quarta-feira (7).
Ao considerar apenas o resultado de abril houve queda de vendas em segmentos de veículos – carros, comerciais leves, caminhões e ônibus. A retração chegou a 5,5% na comparação com o mesmo mês de 2024, num total de 208,7 mil unidades.
Para a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a queda na demanda de caminhões durante o quadrimestre já reflete o alto custo do financiamento de veículos. A taxa média chegou a 29,5% ao ano nas primeiras semanas de 2025 e que agora está em 28,5%.
Em sua primeira entrevista coletiva desde que tomou posse, há menos de um mês, o novo presidente da Anfavea, Igor Calvet, disse na quinta-feira, 8, que mais um aumento da taxa Selic “impactará nas vendas tanto de veículos leves como de pesados”.
Segundo Calvet, a entidade observará o comportamento do mercado para avaliar a necessidade de revisar as projeções para o ano. “Estamos preocupados. Há um ano a Selic estava em torno de 10,5%. Isso traz um cenário diferente e uma mudança de perspectiva”, destaca o dirigente.
Por enquanto, o resultado total de vendas no mercado interno foi positiva no quadrimestre. O volume de 760,4 mil veículos no acumulado dos quatro primeiros meses do ano representou um aumento de 3,4% na comparação com o mesmo período de 2024. Calvet chama, no entanto, a atenção para o peso dos negócios com locadoras. Esse setor foi responsável por um quarto das vendas em abril.
A produção de veículos registrou o maior volume em um primeiro quadrimestre desde 2019 – 811,2 mil unidades, uma alta de 6,7%. Isso exigiu a abertura de mais postos de trabalho. Com 109,4 mil funcionários, o emprego nas montadoras subiu 7,3 % em 12 meses. Foram abertas, no período, 7,5 mil vagas.
O aumento de produção foi, em grande parte, puxado por exportações, com destaque para a Argentina. As vendas para o país vizinho somaram 95,7 mil veículos até abril, alta de 151,2% em relação ao mesmo quadrimestre de 2024. Em um ano a participação argentina nas exportações de veículos do Brasil subiu de 34,8% para 59,1%.
O resultado foi positivo também em outros mercados vizinhos, o que elevou o volume embarcado no primeiro quadrimestre para 161,9 mil veículos, aumento de 47,8% em relação ao mesmo período de 2024. A receita com exportação somou US$ 4,2 bilhões até abril, alta de 36,7%.
No segmento de automóveis, Calvet destacou o aumento da participação dos modelos importados. A venda de carros produzidos em outros países registrou crescimento de 18,7% no quadrimestre enquanto os nacionais, apenas 0,2% segundo a Anfavea. Modelos chineses já representam 6% do mercado E os híbridos e elétricos têm fatia de 10%.