O engenheiro carioca Cristiano Pinto da Costa entrou na Shell em 1996 e construiu a carreira acompanhando, de perto, a transformação do Brasil em uma potência petrolífera — e em uma peça-chave da estratégia global da empresa britânica. A Shell Brasil, comandada por ele desde 2022, extrai cerca de 450 000 barris de óleo equivalente por dia, perdendo apenas para a Petrobras. Isso faz da operação brasileira a maior em óleo e gás da Shell no mundo. Costa defende a ideia de que os combustíveis fósseis vão continuar no centro da equação energética por, ao menos, mais uma década. “O mundo enfrenta os desafios da demanda global crescente, da segurança energética e da transição justa, que se trata de garantir energia a preços acessíveis”, diz Costa. Confira a seguir os principais trechos da entrevista.
Por quanto tempo o petróleo continuará sendo um negócio relevante? O consumo de petróleo vai continuar crescendo até atingir o pico na metade da próxima década, seguido pelo gás. Há um fator técnico muitas vezes ignorado: campos de óleo e gás têm uma taxa natural de declínio de 7% a 10% ao ano. Mesmo com demanda estável, seriam necessários novos investimentos apenas para manter a produção no mesmo patamar. Isso explica por que o mundo vai continuar precisando de investimentos no setor por muitos anos.
Sem novas descobertas, o Brasil corre o risco de voltar a importar petróleo? Sim. O país se tornou um dos dez maiores produtores do mundo graças ao pré-sal, mas essa curva pode se inverter. Um dado da ANP (Agência Nacional do Petróleo) é revelador: em 2012, o país perfurava 100 poços por ano, sendo de vinte a trinta em águas profundas. No ano passado, foram novamente 100, ou seja, praticamente sem avanço em mais de uma década. Sem novas descobertas, o Brasil pode voltar a importar petróleo nos próximos anos, revertendo um cenário altamente positivo para a balança comercial. Em 2024, o petróleo foi o principal item da balança comercial brasileira.
