Boom da recarga: Brasil ganha um carregador de carros elétricos a cada hora

19/08/2026

Fonte: uol

Imagem: Divulgação

O Brasil ultrapassou a marca de 25,4 mil pontos públicos e semipúblicos de recarga para carros elétricos em maio de 2026, segundo levantamento da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) em parceria com a plataforma Tupi Mobilidade.

A rede é quase nove vezes maior que era há quatro anos, quando o país somava apenas 2.955 eletropostos. O ritmo impressiona: só entre fevereiro e maio deste ano, cresceu 20,9% — um avanço que, até pouco tempo atrás, levava quase um ano inteiro para acontecer.

O salto mais impressionante está nos carregadores rápidos, de corrente contínua (DC). No início de 2024, eles representavam menos de 10% da rede. Em fevereiro de 2025, eram 2.430 unidades, ou 16% do total. Doze meses depois, saltaram para 6.479 — alta de 166,6% — e, em maio de 2026, chegaram a 8.606, o equivalente a 34% de toda a infraestrutura nacional.

Já os carregadores lentos (AC) somam 16.836 pontos e voltaram a acelerar depois que a Lei 18.403/2026, de São Paulo, garantiu aos moradores o direito de instalar carregadores em vagas privativas de condomínios.

Longe da China, mas à frente dos EUA

Na relação entre frota e infraestrutura, o Brasil registrava 19,6 veículos recarregáveis (carros 100% elétricos e híbridos plugin) por ponto de recarga em fevereiro de 2026, quando circulavam 411.869 unidades do tipo.

Para Davi Bertoncello, diretor de Comunicação da ABVE e diretor executivo da Tupi, é uma boa proporção para a realidade atual do mercado, “porém ainda distante da meta ideal de 10/1, que exigiria o dobro de pontos de recarga”.

Na comparação com os grandes mercados, o Brasil fica no meio do caminho: segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), a China tem mais de um carregador público para cada dez carros elétricos, e a União Europeia opera com um ponto para cada 13 veículos.

Os Estados Unidos, por sua vez, rodam com cerca de 32 elétricos por carregador público — proporção pior que a brasileira, amenizada pelo fato de mais de 85% dos donos de elétricos no país norte-americano terem recarga em casa. Um dado curioso: sozinha, a China concentra cerca de 60% dos carregadores públicos lentos do planeta e mais de 80% dos rápidos.

A distribuição dentro do território brasileiro, porém, segue desigual: o Sudeste reúne cerca de metade dos eletropostos brasileiros e lidera também em recarga rápida, com 2.709 carregadores DC. Em fevereiro de 2026, a região tinha 580 municípios atendidos, contra apenas 82 em toda a região Norte.

O caso mais crítico, curiosamente, é o Distrito Federal: são 73,5 veículos por ponto de recarga, a pior relação do país, com mais de 60 mil plug-ins emplacados para apenas 821 pontos disponíveis.

Há, no entanto, sinais claros de reação nas regiões menos atendidas. Entre fevereiro e maio de 2026, o Norte liderou o crescimento, com alta de 31,1% no total de pontos e de 51% nos carregadores rápidos, o maior índice nacional. Centro-Oeste (+23,7%) e Sul (+23,4%) vieram na sequência, enquanto o Sudeste, dono da maior base instalada, avançou 18,1%.

Ao todo, 1.832 municípios já têm ao menos um ponto de recarga — cerca de um terço das cidades do país. Para dimensionar a velocidade dessa expansão: no fim de 2020, havia apenas cerca de 350 eletropostos em todo o país.

Recarga de cinco minutos e R$ 5 bilhões na tomada

A nova fase da infraestrutura brasileira também é de mais potência: uma geração de carregadores ultrarrápidos em introdução aqui já chega a 480 kW, com estações com quatro a dez posições de recarga simultânea.

Enquanto isso o setor privado promete ir além: a BYD, que opera a maior rede pública de recarga rápida do país, com 125 carregadores em concessionárias das cinco regiões, planeja chegar a 225 pontos até o fim de 2026 — e anunciou a instalação de até 1.000 carregadores ultrarrápidos Flash no Brasil até 2027, com potência de até 1.500 kW por conector.

Segundo a fabricante, a tecnologia é capaz de levar a bateria de 10% a 70% em cerca de cinco minutos. O primeiro equipamento deve estrear ainda em 2026, em Brasília. O movimento de consolidação também acelera: Zletric e Voltbras uniram suas redes em uma plataforma interoperável com mais de 2.500 pontos, e a Voltta, da Eneva, já passa de 100 franquias.

O desafio à frente, porém, é bilionário: um estudo da C40 Cities e da IFC, com apoio da ABVE, estima que o Brasil precisará de cerca de R$ 5 bilhões em investimentos até 2035 para que a infraestrutura de recarga acompanhe o crescimento da frota elétrica.

A régua está posta — e, pelo ritmo dos últimos trimestres, o país finalmente começou a correr atrás dela.

O Clipping Minaspetro reproduz fielmente o que está na imprensa.

Os textos não refletem, necessariamente, a opinião institucional do Sindicato.

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